Capa da revista “Brasília em Dia” (www.brasiliaemdia.com.br) desta semana
Artigo de Ney Lopes publicado na revista “Brasília em Dia” (www.brasiliaemdia.com.br), editada em Brasília, Distrito Federal.
Acesse e leia na íntegra: O porte de armas em debate
Artigo de Ney Lopes publicado no Diário de Natal/Gazeta do Oeste, sob o título “A volta do crtédito educativo”.
Acesse e leia: A volta do crédito educativo
O Ministério da Educação divulgou oficialmente no Diário Oficial da União a classificação, por mérito, das escolas públicas e privadas brasileiras.
Trata-se de um programa instituído pelo saudoso ministro Paulo Renato, na época de FHC, que permite avaliar, com seriedade, a qualidade do ensino.
Em relação aos resultados no Rio Grande do Norte cabem algumas observações:
O nosso ensino público necessita de maior atenção, no que se refere a remuneração, quanto igualmente a qualificação e treinamentos periódicos dos professores. Quando deputado federal apresentei projeto de lei, que está nas “gavetas do Congresso”, regulamentando o modelo da escola comunitária, que seria administrada por professores, pais e alunos.
Os orçamentos seriam específicos, escola a escola. No final do ano, haveria uma classificação das unidades mais eficientes, o que reverteria em benefícios, até salariais para os servidores.
Candidato a prefeito de Natal, em 2004, defendi essa proposta para Natal. Perdeu-se no vazio das administrações seguintes. Infelizmente.
O MEC comprovou que o nosso ensino privado está em bom nível. Destaque especial cabe ao CEI – Centro de Educação Integrada -, que funciona na rua Romualdo Galvão, em Natal.
Após minuciosa aferição técnica, o MEC considerou a melhor escola privada do RN. Parabéns aos seus administradores!
As outras nove instituições locais, classificadas entre as melhores do país, merecem igualmente cumprimentos e atestam a preocupação dos seus dirigentes com a melhoria permanente do ensino estadual.
Ney Lopes
Nuuk, capital da Groenlândia (conclusão) – Terminou a aventura de visitar o país, onde o aquecimento das suas águas geladas faz o gelo derreter cada vez mais e aflorarem metais preciosos, até então escondidos em locais que ninguém poderia imaginar. Como a população é pequena, muitos “espertos” estão chegando.
Foi nessa rota, que o Titanic naufragou. Graças a Deus escapamos e estamos em terra firme.
Valeu a pena a aventura. É algo realmente fantástico descobrir que nos mares do ártico existe um povo em crescimento. Há coisas que é preciso ver para crer. A Groenlândia é uma delas.
A frustração foi não termos visto a aurora boreal, durante cerca de quatro dias na região. Era um desejo acompanhar ao vivo e a olho nu o espetáculo de luzes coloridas e brilhantes no céu. Uma brincadeira de Deus, em local onde o homem não pode chegar.
Quando visitei a Patagônia também me frustrei, por não ter observado os idênticos movimentos circulares da aurora astral.
Anne, que serve no restaurante italiano “monza” em Nuuk, diz que não sabe como será 2011, em relação ao clima. Informa que o ano passado bateu recorde em derretimento de gelo. Foi o período mais longo de desgelo, desde quando se iniciaram os registros há mais de cem anos.
O gelo começou a derreter no final de abril de 2010 e parou em meados de setembro. Foram 50 dias a mais de degelo, comparado com períodos anteriores.
Se por acaso a Groenlândia derretesse por inteiro, o nível do mar subiria mais de 12 metros. Ao invés da barca de Noé, os humanos certamente usariam foguetes para sobreviver. A previsão dos cientistas é que o mar suba um metro até 2100, o que já será suficiente para catástrofes em cidades como Natal, Rio de Janeiro, Recife, Salvador e outras litorâneas.
O ritmo de derretimento surpreende os observadores. O gelo do ártico perdeu uma área equivalente ao estado de São Paulo, em 2010.
No Museu Nacional de Nuuk há um estudo britânico que admite a parada do desgelo. A água desgelada correria direto para o mar, evitando o choque com novas geleiras– como acontece atualmente –, reduzindo a quantidade de massa líquida escorrida.
Saímos de Nuuk em final de tarde. Começava a chover. Uma nevoa cobria a ilha. Em poucos minutos ventos fortes abalaram o navio, que enfrentou uma tempestade. Todos os passageiros se recolheram às cabines, talvez aumentando o consumo de “plasil”. Os motores do estabilizador do navio rugiam, colocando a embarcação na perpendicular e evitando maiores turbulências.
Mesmo assim, balançou muito. As ondas de 10 metros atingiam as varandas nos decks superiores.
Por volta das 22 horas voltou ao normal. Durante cinco dias de navegação, o mar foi uma piscina. A rebeldia ocorreu justamente nas águas groenlandesas.
Alegres pela experiência vivida na Groenlândia, a indagação entre o grupo de brasileiros que viajava conosco era como alguém consegue viver, mesmo com relativo conforto, numa ilha em cima do polo norte e isolada do mundo.
Difícil responder a pergunta. Porém, a verdade é que muita gente está indo morar lá…. Talvez, pelo desejo de encontrar um novo Eldorado no século XXI, o que poderá acontecer.
Dizemos como Gonçalves Dias: “meninos eu vi!”.
A Groenlândia é realmente um tesouro, com riquezas ainda inexploradas!
Ney Lopes
Nuuk, capital da Groenlândia (continuação V) – Quando se fala em estabilidade climática do planeta, Amazônia e Groenlândia concentram as preocupações do mundo.
A questão não se limita apenas a preservação do meio ambiente. Por trás da cena esconde-se uma violenta disputa de poder econômico e estratégico.
A Amazônia retém riquezas em sua biodiversidade, com valores estimados de mais de três trilhões de dólares.
Somente as reservas de petróleo da Groenlândia (sem falar no ouro, ferro e outros minérios), estimadas em 48 bilhões de barris, são quase quatro vezes maiores do que as já confirmadas no pré-sal brasileiro. Do total de reservas, 31 bilhões de barris estariam escondidos na baía de Baffin, que separa a Groenlândia do Canadá, por onde navegamos neste cruzeiro, retornando de Nuuk.
Por ironia do destino, em relação a Groenlândia, se aplica o ditado popular de que “não há mal, que não venha para o bem”.
A elevação da temperatura no Ártico faz subir o nível do mar e coloca o mundo em perigo.
Por outro lado, abre as portas do progresso para o país, com o aumento de facilidades na extração do petróleo e minérios. O óleo que, queimado produz o gás carbônico e derrete geleiras é o grande “trunfo” para um futuro de prosperidade da região. Em declarações recentes o primeiro-ministro comparou esse potencial ao pré-sal brasileiro.
Após três séculos de dominação pela Dinamarca, a Groenlândia há dois anos (2009) obteve a sua independência política. As reservas de petróleo descobertas significam a oportunidade do país alcançar a sua independência econômica.
A bem da verdade, a independência da Groenlândia é relativa e não cortou as ligações seculares com a Dinamarca, em que pese o território não se encontrar na Europa, mas sim nas Américas. O país assemelha-se a Austrália, Nova Zelândia, Fiji, Escócia, em relação ao Reino Unido.
A mudança climática está forçando a Groenlândia diversificar a sua economia. O governo quer sair da dependência exclusiva da pesca, que poderá ser afetada pelo clima em mutação constante, migração de estoques e alterações na demanda do mercado global.
Não é sem razão que Hilary Clinton já visitou Nuuk, a capital, algumas vezes. A última visita foi em maio passado.
As alterações no clima tiram cidades do isolamento comentou um italiano, que trabalha na empresa de turismo. Ele citou uma cidadezinha chamada Upemavik, que ficava sem receber suprimentos de outubro a junho pelas geleiras que impediam o ancoramento de navios. Este ano recebeu um barco dinamarquês em fevereiro, o mês mais frio do rigoroso inverno ártico. O gelo, antes atingia a altura de quase 2 metros. Agora, apenas 0.50 centímetros.
O país esquenta a cada dia. Os termômetros subiram 2ºC, comparado com o século passado.
Na medida em que os groenlandeses abrem a sua economia, as grandes potências aumentam os investimentos no país e – quem sabe- em pouco tempo os interesses econômicos passem a conviver com os impactos do aquecimento global.
Em tal hipótese, do ponto de vista econômico, a política de preservação do meio ambiente na Amazônia brasileira terá que cada vez mais ter “os pés no chão” para simplesmente não fazer papel de “besta” e querer ser mais realista do que o rei.
Em muitas situações, as ONGs internacionais pressionam no Brasil pela preservação sem limites do meio ambiente, como ocorreu na discussão do Código Florestal.
Enquanto isto, os financiadores dessas instituições avançam nas riquezas minerais das geleiras do mar ártico, mesmo diante dos riscos do aquecimento global.
Ney Lopes
Nuuk, capital da Groenlândia (continuação IV) – Observa-se em Nuuk a presença americana. A única representação diplomática na cidade é dos Estados Unidos. Vacilante, o guia admitiu que poderiam funcionar consulados da Suécia e Dinamarca, mas não confirma a existência.
Na Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos montaram uma base aérea em Thule, noroeste da Groenlândia, que se tornou ponto estratégico durante a “guerra fria” com a Rússia. Em 1968, um avião norte-americano, carregado de bombas atômicas, caiu na região e a irradiação provocou graves consequências para a população nativa de esquimós. Parte deles não consegue ter filhos, até hoje.
Andando no centro da cidade procuramos contato com os nativos, facilmente identificados pelas feições de esquimós. Riem, mas são arredios. O mesmo ocorre com os aborígenes na Austrália. Falam pouco o inglês. Preservam as suas tradições, a partir das vestimentas coloridas e de lã.
Já os estrangeiros – principalmente asiáticos – demonstram boa convivência social. A um deles, vestido com macacão de trabalho de uma empresa de construção, indagamos porquê resolveu morar na Groenlândia. Foi rápido no gatilho: “aqui tem trabalho”.
E o frio? Respondeu: “o meu país também é frio”. Não deu pra perguntar de que país tinha vindo.
A Groenlândia, segundo a história, é o caso típico de propaganda enganosa, em matéria de frio. O nome do país significa “terra verde”, com 80% do seu território coberto por gelo.
Quando na idade média (entre os anos 1000 e 1400) o norueguês Erik, o Vermelho, desembarcou na ilha, fugindo da Islândia, ele batizou o local de “Groenlândia” (terra verde).
Segundo o livro “A origem dos nomes e dos países”, a denominação ocorreu pelo fato do descobridor Erik ter desembarcado num bosque de bétulas na região. Entusiasmado com a beleza natural, ele denominou de “Groen-Land”.
O país foi palco de acirrada disputa entre a Noruega e a Dinamarca. Teve a sua costa explorada pelos ingleses. Na Segunda Guerra Mundial, o litoral foi ocupado pelos alemães.
O visitante não consegue entender uma só palavra da linguagem dos groenlandeses. Fala-se o “kalasllisut”, que pertence a família de idiomas falada pelos nativos do Alasca e Canadá.
Com o perfil de novo Eldorado, a capital Nuuk oferece aos seus habitantes tudo que uma cidade moderna necessita. Mesmo assim há muito caminho a percorrer para alcançar o primeiro mundo. O crescimento trará fatalmente problemas de tráfego de veículos – hoje inexistente-, violência e outros males sociais típicos.
Tudo isso certamente ocorrerá. Hoje os “olhos do mundo” se voltam par as riquezas adormecidas, no mar de gelo da Groenlândia.
Ney Lopes
Nuuk, capital da Groenlândia (continuação III) – No futebol, a Groenlândia já tem a sua seleção nacional e por lá passou como treinador o ex-jogador alemão Sepp Piontek. O país não integra a FIFA. Por isto, está fora da Copa do Mundo.
A recente aprovação pela FIFA da prática do futebol em campos artificiais poderá possibilitar a Groenlândia em breve filiar-se à entidade.
Com traços de excelente urbanização, a cidade de Nuuk mostra grande expansão da construção civil, principalmente na edificação de modernos prédios para moradia. Este é o sinal de que muita gente está indo morar no país.
Aliás, essa informação foi dada por uma vendedora da loja de artesanato que tem o nome de um personagem da mitologia local chamado “Tupilak” (alma de um ancestral ou espírito). Nessa loja são comercializadas pequenas esculturas de “Tupilaks”, talhadas com perfeição em ossos de chifre de rena (animais que movem os troles na neve). Assemelham-se ao marfim africano. A nativa, com olhos apertados de esquimós, confirma o prognóstico de que a Groenlândia realmente está se transformando no “Eldorado” do século XXI “com muita gente chegando e ficando”.
Nas ruas vimos chineses, paquistaneses, escandinavos e asiáticos em geral, que vieram morar no país.
Há indústrias em ascensão e comércio ativo. Destaca-se a pesca do “halibut” (peixe de primeira qualidade na Europa e Estados Unidos) e do salmão.
É proibido usar os dentes de baleia para confeccionar objetos de artesanato.
Dois aeroportos atendem a cidade. Um regional e outro para aviões de maior porte. A navegação aérea é dificultada pela situação do tempo, com muitos voos retardados e cancelados.
Em Nuuk, a violência embora reduzida dá sinais de que pode chegar. Tradicionalmente, a Polícia sempre existiu para orientar as pessoas e não reprimir. A presença de estrangeiros muda essa linha de ação.
As crianças andam sozinhas nas ruas. Vão e voltam da escola, passeiam e se divertem, sem acompanhantes, enquanto os pais trabalham. A vida pacata da cidade, praticamente sem trânsito, permite tal liberalidade.
É oneroso o estrangeiro construir a sua própria casa. Cerca de 1 milhão de dólares. O terreno pertence ao governo.
A saúde e a educação são caras para quem vem de fora.
Os nativos têm assistência de moradia e gratuidade nos hospitais e escolas.
A carga tributária supera 40%.
Ney Lopes
Nuuk, capital da Groenlândia (continuação II) – Nuuk vista a distância impressiona na linha horizontal. A cidade converge para a igreja luterana, situada no “píer” (porto). É o primeiro templo religioso do novo mundo. Ao lado, o Museu Nacional oferece excelentes informações sobre a origem dos esquimós, que povoaram o país, tais como, acervo de peças arqueológicas, artísticas, meios de transporte, usos e costumes.
A pé anda-se cerca de dez minutos para chegar ao centro.
A cidade é chamada a “metrópole do ártico”. Dispõe de uma universidade (cursos de direito e biologia, os principais), estradas asfaltadas, instituições culturais e de pesquisa, piscinas públicas aquecidas para lazer, prática de esportes (iatismo, caiaques típicos do país), times de futebol, restaurantes (“menus” asiáticos, europeus e comidas com tempero local, como carne de rena e baleia frita), cafés, supermercados de excelente nível e rede de assistência social à população.
Para conhecermos a gastronomia local almoçamos em restaurante típico. Ao final, sem pedirmos, o garçom ofereceu “café” acompanhado de Grand Marnier. Um costume local pós refeição.
Em Nuuk, como na Groenlândia em geral, mesmo com a boa qualidade de vida na capital, constata-se o risco de possível perda da identidade nacional. Aumenta dia a dia o fluxo de estrangeiros, atraídos pelas enormes riquezas potenciais da ilha, sobretudo minerais escondidos embaixo das camadas de gelo (ouro, prata, ferro…). Tal fato provoca elevações nos índices de alcoolismo e suicídio.
Até o desemprego já começa a preocupar. Para enfrentar a instabilidade social, o governo mesmo diante de protestos das Ongs ambientais, discute acordo com empresas multinacionais, que desejam fazer pesquisas e explorar petróleo na região.
A Groenlândia em pouco tempo poderá transformar-se na “Arábia Saudita gelada”.
Além do petróleo estão em marcha entendimentos para a implantação de uma siderurgia, que empregará três mil pessoas, o que representa um décimo da força de trabalho do país. A pesca bate record de captura, elevando a exportação. O turismo cresce cada ano.
Sinais evidentes de um novo “Eldorado”, em pleno século XXI.
Já circula em Brasília a edição semanal da revista “Brasília em Dia” (veja capa abaixo) - www.brasiliaemdia.com.br- com o artigo de Ney Lopes.
Leia na íntegra: Hoje, 10 anos depois
Ney Lopes
Nuuk, capital da Groenlândia (continuação I) – A primeira visão em terra é de uma árvore de Natal estilizada e Papai Noel inflado. Aqui, como na Islândia, Noruega e Finlândia, se disputa a origem do Papai Noel. O correio local comercializa cartões com a assinatura do “bom velhinho”, que podem ser enviados para crianças, em qualquer parte do mundo.
O navio orientou para procurar o escritório de turismo local e programar o que fazer. Identificamos a empresa “nuuk tourism” de propriedade de empresários suecos, que oferece “tour” em ônibus panorâmico, passeios em barcos para o fjordes, percursos para observação da pesca, dentre outros. Os turistas chegam de navio, ou avião e fazem circular boa quantidade de dinheiro.
Perguntamos sobre ponto de taxi próximo para irmos ao centro da cidade. Um jovem tatuado, de origem escandinava, cheio de “piercings” na orelha e no nariz, ensaiou um espanhol lento e informou que “aqui só se usa taxi para ir ao aeroporto. A cidade é pequena e se anda a pé”.
Os serviços turísticos são desorganizados, embora com bom atendimento. Enfrentamos dificuldades para adquirir ticket de um dos tours oferecidos que circundam a cidade, em duas horas. Até para localizar o ônibus não havia informação precisa. Diante de vários veículos parados indagamos se era aquele o do nosso “tour”. Um motorista de fisionomia ariana diz que ali só “alemães”. Retruquei de imediato: “então, é um ônibus segregacionista!”. Ele ouviu com cara de quem não gostou.
Em Nuuk há menos de dez taxis em circulação; quatro hotéis quatro estrelas; vários quartos de hospedagem com café da manhã e dois bancos.
Em todo o país, a média é de 50 veículos para cada mil habitantes (São Paulo tem a média de um carro para quase dois habitantes); menos de uma dezena de semáforos nas ruas; 30 mil cães para puxar os trenós (meio de transporte tradicional), sendo exigida carteira de habilitação para conduzi-los.
Nas ruas, o povo é extremamente atencioso. Pessoas saem do trabalho para orientar os visitantes. Tivemos prova disso mais de uma vez.
A moeda local o “danish kroner” vale um décimo do dólar. O custo de vida é elevado. Tudo chega por aviões, ou navios.
Ney Lopes
Nuuk, capital da Groenlândia – Em 07/09/11 – Finalmente, chegamos ao país localizado na maior ilha não continental do planeta, com população de 56 mil habitantes, menor do que a do município de Caicó, no Rio Grande do Norte.
Sabendo como é possível sobreviver no semiárido do nordeste brasileiro, com sol inclemente e escassez de água, tínhamos a curiosidade de conhecer como viviam os groenlandeses, com suas casas construídas em cima de rochas vulcânicas, névoa e neve constantes e temperaturas médias de 20º abaixo de zero no inverno e 8º no verão.
A capital, cidade de Nuuk, governada por uma prefeita mulher, é a mais populosa da Groenlândia e a menor capital de um país no mundo. Tem apenas 16 mil habitantes. Fica encravada numa área geográfica de mais de dois milhões de quilômetros quadrados. Com singular beleza natural situa-se na entrada de um dos maiores complexos de fjordes do mundo. Padres dinamarqueses, noruegueses e o missionário Hans Egede fundaram Nuuk em 1728.
Após três séculos de dominação pela Dinamarca, a Groenlândia somente adquiriu a sua independência política em 2009. Hoje é uma república parlamentarista.
Inexplicavelmente, a tantas milhas de distância, em plena calota polar ártica, a diferença do fuso horário para Natal, RN, é de apenas uma hora a mais. Dez horas da manhã aqui, 9 horas no Brasil. Está começando a parada cívica de 7 de setembro.
A expectativa seria visitar uma quase aldeia, no meio de geleiras.
O navio ancora ao largo e logo se enxerga o perfil de uma cidade moderna, com edifícios envidraçados, torres de comunicação, casas típicas e coloridas, construídas nas rochas de origem vulcânica.
Barcaças conduzem em grupos os passageiros do navio para o pequeno porto (píer). Sol ameno, ventania e temperatura de 10º. Não se percebe neve acumulada, ao contrário de Anchorage, no Alasca, onde a brancura do gelo resiste ao calor do sol.
Com roupas super aquecidas tivemos a sensação de alívio. Afinal, a Groenlândia não era tão fria como se dizia! Seria possível conhecer o seu território, sem virar “picolé”.
Ney Lopes
Reykjavik, Islandia (conclusão) – Uma praia com água aquecida constitui a maior atração turística de Reykjavik (foto). A “lagoa azul” como é conhecida situa-se numa área cercada de pedras vulcânicas (foto). A água azul, morna, rica em minerais, atrai a população local, que se mantém durante horas e horas, bebendo cerveja ou chá e “batendo papo”, como quem toma um cafezinho no Brasil.
Os minerais da Lagoa Azul são a matéria-prima de uma linha de cosméticos vendidos para uso em rejuvenescimento, com propriedades similares aos produtos do Mar Morto da Jordânia e Israel.
A cidade e as demais ilhas islandesas situam-se entre duas placas tectônicas, nos limites da Europa e a América do Norte. Por essa razão, possuem vasta quantidade de energia geotérmica e atividade vulcânica, o que transforma o solo em altamente fértil e produtivo, com energia limpa, eficiente e barata.
Erupções do vulcão “Eyjafjllajokull” próximo a cidade provocam a paralização do tráfego aéreo entre a Europa e Estados Unidos. Recentemente, ocorreu esse fenômeno.
Despontam no horizonte de Reykjavik, as altíssimas torres da catedral Luterana (foto), construída durante 32 anos e inaugurada no ano 2000. Trata-se de uma obra arquitetônica moderna e ousada, a base de placas de cimento armado, muito ao estilo da capital Brasília, de Niemeyer.
Com o seu interior na cor branca, a igreja tem apenas uma grande escultura de Jesus Cristo, na concepção luterana, esculpida em mármore, com as mãos sobrepostas sobre o peito. O órgão para execução de músicas sacras foi fabricado durante oito anos, sendo um dos melhores do mundo.
Reykjavik é uma cidade praticamente sem violência. Reduzida presença do tráfico de drogas. Com poucas edificações, as casas possuem proteção contra terremotos.
Em conversa com Joseph, universitário e garçom de um restaurante, indaguei se ele temia morar numa cidade tão exposta a vulcões e terremotos. Sem titubear respondeu: “o que fazer? Aqui é o meu lugar”!
Esta é a Islândia, versão 2011. Um país pequeno, de gente pacata, plenamente desenvolvido, embora atravesse a maior crise econômica da sua história. O “segredo” islandês foi tirar proveito da sua posição geográfica privilegiada no atlântico norte, implantando um polo de pesquisa avançada e de exportação.
Ah, o que o “grande Natal” poderia fazer e não faz no atlântico sul, preferindo manter a doce ilusão de que grupos privados, sem dinheiro subsidiado do BNDES e isenção de impostos a perder de vista, construirão o aeroporto de São Gonçalo do Amarante. Um verdadeiro “iceberg”, que ilude os norte-rio-grandenses. Quem viver verá! O único caminho seria uma área de livre comércio, que por si só geraria recursos para a construção do aeroporto, que se tornaria autossustentável.
O próximo destino será a distante Groenlândia, cujo território equivale ao do México e a três estados do Texas.
No dia 7 de setembro – data da nossa independência – o navio chegará a Nuuk, capital da Groenlândia, no centro do círculo polar ártico, entre glaciais e fiordes, na segunda maior reserva de água doce da terra (só perde para a Antártida), onde vivem comunidades de esquimós, ursos polares, morsas, baleias, focas e uma admirável abundância de pássaros.
Visitar a Groenlândia sempre foi um sonho para ver como é possível existir vida humana num país com terreno acidentado, poucas estradas, sem ferrovias, a temperatura mais baixa da terra, com a média anual de 20º abaixo de zero, máxima no verão de 8º e sistema de transporte a base de trenós puxados por cães, navios, pequenos aviões e helicópteros.
Ney Lopes
Reykjavik – capital da Islândia – Em 04/09/11 – Com o mar bravio, o que provocou instabilidade no navio, chegamos a capital islandesa, que enfrenta atualmente um verdadeiro maremoto econômico. Reykjavík até bem pouco tempo era uma ilha da tranquilidade e bem-estar no mundo. Da noite para o dia, se transformou no retrato fiel da crise econômica mundial. Concentra 210 mil habitantes da população total do país que é de 300 mil, oitenta por cento descendentes de noruegueses. Os restantes descendem de escoceses e irlandeses.
Igualmente a cidade de Parnamirim, no Rio Grande do Norte, Reykjavik foi uma importante base militar durante a segunda guerra mundial, muito contribuindo no combate a navios alemães. Essa posição geográfica estratégica no atlântico Norte foi a maior razão do grande avanço econômico da cidade e do país. Lá se instalou no final do século passado, com a globalização econômica, um dos principais polos exportadores da Europa. Grandes grupos, como Nokia, que é finlandês e a Alcoa canadense fizeram maciços investimentos em pesquisa e produção, respectivamente nos setores de comunicação via Internet e alumínio.
Enquanto isto, o “grande Natal” – ponto geográfico e estratégico do atlântico sul – perde a oportunidade de implantar um polo exportador e turístico, com a geração de milhares de empregos e participação fundamental no equilíbrio da balança de pagamentos do Brasil.
Hoje, em toda Islândia e particularmente na sua capital, percebe-se o lamento coletivo pelo aumento do desemprego, que até três anos atrás era de 0.5% e saltou para 13%.
A renda per capita ainda se mantém em U$ 2.000.00 mensais, porém segundo um taxista, quase 50% da população caiu de padrão, por força do elevado custo de vida e aumentos da carga tributária.
A moeda nacional (o kroner) correspondia antes do colapso da economia a 59 kroners por dólar. Hoje o câmbio é de 114 kroners por dólar. Desvalorização de 100%.
A crise econômica na Islândia chegou imediatamente após a quebra dos Bancos americanos, em 2008. O dinheiro do país dependia basicamente da economia norte-americana. Os bancos “quebraram”, os banqueiros partiram e o povo perdeu os depósitos e poupanças, ficando os encargos com o governo.
Muitos dos desempregados estão indo embora para a Noruega, país vizinho, em busca de ocupação.
Vi na Islândia a confirmação de que o pior salário é o salário zero. E o desemprego, o maior problema que um país pode enfrentar.
Diário de viagem (12)
Ney Lopes
Akureyri – Islândia – 03/09/11 – Desembarcamos numa pequena cidade, onde o quilo de filé custa U$ 30.00 (quase 60 reais), arrodeada de fjordes (avanços do mar sobre antigas áreas glaciais) e localizada ao longo dos seis mil quilômetros da costa do país.
Esta cidade se chama Akureyri, no extremo norte, em área vulcânica, com águas termais, depósitos minerais e a cerca de cem quilômetros do círculo polar ártico (distância entre Natal, RN/Santa Cruz).
É a quarta maior cidade do país, com 18 mil habitantes. Temperatura média anual de 4º. Predomina a religião luterana (90% da população), cujos adeptos construíram uma igreja de madeira em 1940, pintada de vermelho. A energia exclusivamente hidráulica.
A economia se apoia no turismo, pesca (salmão, lagosta, camarão…) e na produção de alumínio e “softwares”. A Universidade local, de excelente nível, prioriza cursos ligados à computação (Internet).
Três grandes fábricas de alumínio localizam-se na Islândia, uma delas do grupo Alcoa (canadense), que opera também no Brasil.
O governo liberal tem acentuada tendência de intervenção do estado. A educação e os hospitais são gratuitos.
Em Akureyri – como em toda Islândia – sobressai a tradição literária. A população lê muito. Há, inclusive, o refrão local de que, “quando um islandês não lê um livro é porque provavelmente o escreveu”.
A cachoeira de “Godafoss” fica a cerca de uma hora do centro da cidade, sendo local de acentuada beleza natural e a principal atração turística.
A bebida local e especial é “black death”, extremamente forte. A maioria dos taxistas fala islandês e inglês. Aceitam receber em dólares, pound inglês e euro.
Uma curiosidade é que praticamente não há artesanato local. A guia, em tom jocoso, observou que as lembranças de Akureyri são “made in Taiwan”.
No centro da cidade está um belíssimo jardim botânico, com espécimes naturais variadas, destacando-se o verde das árvores e o colorido das flores.
Akureyri tem um pequeno aeroporto para voos regionais. Os aviões turbo hélices levam 40 minutos para a capital Reykjavik. Por terra são cinco horas.
A guia, Karie, é também professora. Perguntada se ganhava bem, ela disse que sim. Em torno de U$ 2.000.00 mensais. Entretanto, reclamou: “só de impostos pagamos quase 50% e os alimentos são caríssimos”.
Realmente, em tempo de crise econômica, pagar 60 reais por um quilo de filé absorve qualquer bom salário.
Indagada sobre greves para melhorar o salário, Karie esclareceu que as leis não permitem greves de professores na Islândia.
Diário de viagem (11)
Ney Lopes
Em 03/09/11 – A Islândia é um país localizado no atlântico norte, com população de 300 mil habitantes, igual a Mossoró, no Rio Grande do Norte.
As ilhas islandesas (icelanders) desenvolveram o primeiro Parlamento na Europa, no ano 930 dC. Começaram com a participação democrática nas tribos nativas. Cada uma delas escolhia um chefe por consenso e 38 desses líderes se encontravam periodicamente para discutir temas comuns, eleger administradores e decisões políticas em geral.
Essa Assembleia era chamada de “Althing”, reunindo-se duas semanas em cada ano
Até o século XIX, as ilhas islandesas pertenceram a Dinamarca. No ano de 1944 tornaram-se independentes. A forma de governo atual é o parlamentarismo, com eleições periódicas e voto direto dos maiores de 18 anos. Foi o primeiro país do mundo a eleger uma mulher para a presidência. A grande maioria dos universitários do país é de mulheres.
A Islândia produz os melhores softwares do mundo e cerca de 88% da população maior de 14 anos está conectada à Internet.
O território favorável a pecuária torna o país auto-suficiente em carne, lã e leite. A maior riqueza vem da pesca, que absorve dois terços das exportações.
A carne de baleia integra-se à culinária islandesa e representa item importante nas exportações para o Japão.
São comuns em áreas do país as chamadas “fontes quentes”, expelindo lava e gases. Ao redor, milhares de camarões alimentam-se de bactérias, que prosperam junto a essas fontes de água quente. Há quem admita que este pode ter sido um dos locais onde começou a vida na terra.
As principais indústrias são de cimento, alumínio e ferrosilício. Os islandeses desfrutam de elevado padrão de vida e tecnológico, nos mesmos níveis dos Estados Unidos, Japão e países desenvolvidos da Europa.
A Islândia disputa com a Finlândia a origem do “Papai Noel”. No período natalino, as tradições revivem a visita de 13 “Papais Noéis”, cada um com característica diferente.
A cerveja (uma garrafa custa em média 15 reais), bebida altamente consumida no país, sobretudo nos finais de semana com a ronda dos bares, chamada de “rúntur”.
Começaremos a visita a este país curioso e desenvolvido, na cidade de Akureyri. Depois, Reykjavik, a capital.
Ney Lopes
Torshavn, capital das ilhas Faroe, na Dinamarca – Em 01/09/11 – As “ilhas Faroes” pertencentes a Dinamarca no mar do norte são compostas de 18 pequenas ilhas. Apenas uma delas não tem habitantes.
Visitamos Torshavn, a capital, cidade construída no século IX em cima de vulcão adormecido. Atualmente, lá vivem cerca de 18 mil pessoas. Noventa por cento trabalham na pesca com a presença de empresas chinesas e espanholas. Os pescadores locais têm a fama de serem os melhores do mundo, por enfrentarem fortes correntes marítimas na navegação diária.
O petróleo encontrado nas ilhas Faroes atrai capitais internacionais, vindos do Canadá, Reino Unidos e Estados Unidos.
Observam-se em Torshavn casas de pedras coloridas, preservadas ao longo dos tempos, com a característica singular das coberturas do teto feitas com “capim” (ver foto abaixo). Justifica-se em razão da maior concentração de calor para enfrentar a temperatura média anual de 10º.
Um pequeno aeroporto faz a ligação com o continente. O turismo se restringe aos cruzeiros marítimos e mostra vales e escarpas profundas aos visitantes. Funcionam três emissoras FM, todas divulgando o folclore local para manter as tradições.
As ilhas são abastecidas por energia eólica. Predomina a religião protestante entre os habitantes.
A atividade agrícola é limitada por força das baixas temperaturas, inclusive no verão. Desenvolvem-se apenas plantações de batatas, cenouras, nabo e criatório de carneiros.
São elevados os índices de qualidade de vida dos habitantes e baixíssima a taxa de criminalidade.
A próxima parada do navio será na Islândia, uma ilha nórdica situada no oceano atlântico norte – ponto geográfico extremo da cidade de Natal,RN, no atlântico sul -, conhecida como a terra do fogo e do gelo.
O país possui o maior índice de desenvolvimento humano (IDH) e foi classificado como o quarto mais feliz do mundo. Visitaremos a cidade de Akureyri e a capital Rekjavik.
Sempre tivemos muita curiosidade de conhecer a Islândia e assimilar a sua cultura milenar.
Ney Lopes
“Lerwick”, capital das ilhas Shetland, na Escócia – Em 31.08.11 – Desembarcamos em barcas do próprio navio na cidade de Lerwick. O clima era típico do verão local. O termômetro marcava 12º grau. O normal da temperatura durante quase todo o ano é de 3 a 4 graus, com ventos e tempestades frequentes.
As ilhas Shetland têm a minúscula população de 22 mil habitantes, distribuída em 100 ilhas, das quais 15 são desabitadas. Limitam-se ao oeste com o mar do Norte (Noruega) e ao leste com o atlântico norte e oceano ártico (Groenlândia, Canadá e Estados Unidos).
Desde o século XVII a cidade de Lerwick é a capital, atualmente com 11 mil habitantes.
O visitante indaga por quê em condições tão adversas, as pessoas teimaram em viver até hoje nas ilhas Shetland, antes da descoberta do petróleo e dos minérios.
A única resposta foi a descoberta de grande variedade de peixes e vida marinha, fazendo com que os pescadores encontrassem o seu paraíso.
Nem as grandes reservas de petróleo afastaram a pesca como a principal atividade econômica. Atualmente, o porto de Sullom Voe em Shetland situa-se como o maior terminal de gás e petróleo da Europa. Mesmo assim, a pesca continua responsável pela elevada renda per capita dos habitantes.
O clima não favorece a atividade agrícola. O único animal que se adaptou ao habitat natural foram os “pôneis”, conhecidos mundialmente pela sua pureza genética. Até “pônei” abecedista tem em Shetland (ver foto abaixo).
Pode-se afirmar as 100 ilhas de Shetland representam “as ilhas da prosperidade”. Ninguém ganha menos de 2 mil 500 reais. Não há pobres, nem desempregados. Corre dinheiro por tudo quanto é lado, atraindo chineses, paquistaneses, japoneses e outras raças. A fonte do progresso são as riquezas do petróleo, os minerais e a pesca, destacando-se o salmão de excelente qualidade.
Três aeroportos funcionam, com voos diários. Diariamente navios de pequeno porte fazem a ligação com Glasgow, percurso de 12 horas de duração.
Dois problemas desafiam a população das ilhas, principalmente na cidade de Lerwick: as “muriçocas” escocesas, que se reproduzem em massa pela baixa temperatura local e o choque com o ar quente que vem do mar, originário das reservas do petróleo próximas da costa.
Outra “dor de cabeça” são as drogas, que atormentam as famílias e se infiltram através dos imigrantes.
As ilhas Shetland, como a Escócia, vinculam-se ao Reino Unido. Tudo vem de Londres, até eventuais contrabandos de drogas.
A religião dominante é a protestante. O único lazer são os passeios de barcos (para quem tem iate) e jogo de golfe nos finais de semana. Nada mais.
Nos acompanhou o taxista Donald, um nativo das ilhas. Lá nasceu e trabalhou em empresas de petróleo. Com 67 anos diz-se um homem feliz. Teme, apenas, o descaminho da juventude com as drogas. Perguntei-lhe se não desejaria morar num centro maior. Respondeu que em Shetland não falta empregos e em Glasgow (bem próxima) há muita gente sem trabalho.
Shetland adota o modelo capitalista, porém os hospitais, escolas e transporte público para maiores de 60 anos são gratuitos. No ensino médio há um professor para cada 10 alunos. Gratuidade na distribuição de medicamentos. Aposentadoria para os homens aos 65 anos e mulheres aos 60 anos.
As 100 ilhas que formam Shetland na Escócia, em pleno Atlântico norte, dão exemplo ao mundo de uma forma de vida totalmente diferente da que conhecemos, com as pessoas vivendo em função das riquezas dadas pela própria natureza. Uma prova de que se a humanidade aproveitar o que veio da Criação atingirá nível de paz social maior, do que através das guerras e conflitos, na busca permanente pelo domínio da economia global.
O “pônei” abecedista na Escócia
Ney Lopes
Bergen, Noruega – Em 30.08.11 – O retorno do navio ao porto de Southampton para deixar um doente atrasou a chegada a Bergen, a segunda cidade da Noruega no sul do país, fundada em 1070 pelo rei Olavo III e tombada pela Unesco como patrimônio da humanidade.
Importante centro eclesiástico durante a Idade Média, Bergen tinha 5 monastérios e 20 igrejas. Foi a capital da Noruega até o ano de 1299 quando Oslo a substituiu.
Já havia visitado Bergen com Abigail há dois anos, em viagem pelos fjords noruegueses e em busca do sol da meia-noite. Agora, retornamos. Uma linda cidade, de beleza natural invulgar e considerada a “porta de entrada” dos fjords (penetrações do mar sobre antigos vales glaciais da costa).
Predominam as casas de madeira com telhado triangular e pintadas de cores variadas recuperadas na área de Bryggen, ao redor do porto de Vagen, verdadeiro museu vivo aberto, que preserva a cultura local, manifestada pela arquitetura, artesanato e as artes ligadas à pesca. Bryggen é o que resta do antigo cais do porto, destruído em 1702 no incêndio que reduziu a cidade a cinzas.
O cartão de visita está no típico “mercado do peixe” ao ar livre, no centro. Local aprazível, com mesinhas ao lado das barracas, onde se vendem produtos do mar. Em túneis são expostos peixes vivos para a escolha do cliente, que pode autorizar o preparo imediato.
Recordamos o nosso “canto do mangue” em Natal, que poderia ser o centro turístico da cidade de Natal, com escoamento natural para a beira-mar. No período natalino, uma encenação do nascimento de Cristo no Forte dos Reis Magos atrairia as atenções de milhares de turistas, a exemplo da semana santa em Nova Jerusalém.
A única coisa que, certamente, Natal não importaria do mercado do peixe de Bergen seria a proibição da venda de bebida alcóolica. Bergen faz exceção ao turista, que traz consigo a garrafa para degustá-la no porto. Em Natal a cerveja gelada, ou a caipirinha integram os costumes locais da população.
Tivemos a preocupação de ver e fotografar um bacalhau vivo, o que parece impossível no Brasil e serve até de piada. Matamos a curiosidade, com a ajuda de um português comerciante de peixes. A espécie é “feiosa”, escura e não parece os filés amarelados vendidos nos supermercados. Cheguei a conclusão de que o “bacalhau” é a “carne de sol” do mar. As formas de preparo são muitos semelhantes, a base do sal e do sol. A Noruega exporta o seu bacalhau – considerado localmente um pescado de baixa categoria – principalmente para Portugal, Espanha, Itália e Brasil. É difícil encontrar bacalhau nos restaurantes da Noruega. Salvo a língua, que é vendida a preço alto, por ser considerada uma iguaria.
Valeu rever Bergen. Percebemos dessa vez o semblante de preocupação do povo e o policiamento ostensivo nas ruas. Indagado, um vendedor no mercado peixe confessou que o país ainda vive o trauma do atentado terrorista recente, quando morreram dezenas de pessoas.
A triste realidade é que persiste a violência como o maior drama e desafio da sociedade global.



















