São promissoras as perspectivas do RN na exploração de minério de ferro, podendo se transformar em fornecedor privilegiado dos chineses e do resto do mundo. O fundamental será agregar valor a este produto. Isto somente se tornará viável, com uma siderúrgica potiguar. Talvez seja um sonho, porém é necessário sonhar com o absurdo para conseguir o impossível (Unamuno).
Para o RN se transformar na Carajás do Nordeste, a ampliação do porto de Natal é fundamental na exportação do minério. Bom lembrar que em 2000, o ferro representava 5,00% das exportações nacionais. Em 2009 chegou a cerca de 9%. As reservas medidas de minério de ferro no Brasil alcançam 33 bilhões de toneladas, situando o País em quinto lugar em relação às reservas mundiais de 370 bilhões de toneladas.
Na globalização, não há como pensar em desenvolvimento, sem estar atento ao que acontece no mundo. A presidente Dilma Rousseff irá à China no dia 13 de abril. Participará da Cúpula dos BRICS – bloco de países em desenvolvimento, que reúne Brasil, Rússia, Índia e China. Este será o primeiro desafio na definição das diretrizes da política externa da nova governante.
Uma coisa parece incontestável. No mundo de hoje, as relações econômicas e políticas com a China merecem tanta atenção, quanto com os Estados Unidos. Afinal, são as duas maiores economias do planeta.
O RN deverá acompanhar com especial atenção os resultados da visita presidencial próxima. Isto porque, os chineses dependem da importação do ferro brasileiro. Não há outro fornecedor no mundo.
A China priorizou a fabricação de aço do mundo – produz quase a metade da demanda global, fazendo com que necessite do nosso minério de ferro, a sua principal matéria-prima. Dai porque, o país se transformou em cliente privilegiado da “ Vale do Rio Doce”, a maior produtora de minério de ferro do mundo. Neste particular existe espaço economico para o RN.
Em Cruzeta, na Serra da Formiga, há informações de que o potencial de produção da jazida fique entre 6 milhões e 12 millhões de toneladas. São mais de 200 áreas em fase de requerimento, pesquisa, e prospecção mineral no Rio Grande do Norte. Hoje a exploração mineral potiguar no RN se limita a mina do Bonito, localizada no município de Jucurutu.
São promissoras as perspectivas do RN na exploração de minério de ferro, podendo se transformar em fornecedor privilegiado dos chineses e do resto do mundo.
Em matéria de comércio global, os chineses ensinam ao mundo a lição de que a abertura econômica construída por Deng Chá Ping é ampla, porém os seus interesses nacionais estão em primeiro lugar.
Como bons alunos da sabedoria chinesa, os membros da delegação brasileira poderão repetir o mesmo argumento, nas negociações de abril em Pequim.. Um dos pontos a serem colocados na negociação certamente será a desvantagem brasileira, que exporta atualmente, quase sem agregar valor.
O açúcar, por exemplo, apenas 29% de produto refinado. Do volume da soja exportado, cerca de 65% em grãos. Um meio de equilibrar a balança é reivindicar dos chineses investimentos produtivos no país. E aí se abre a porta para que o ferro potiguar mereça a atenção devida para atrair investidores chineses.
Por todas estas razões, o RN poderá ser um dos ganhadores na visita da Presidente Dilma Rousseff à China. Só precisa estar de “olho aberto”.
Artigo publicado na Revista RN NEGÓCIOS