Publicada 06/07/2020 às 08h | atualizada 06/07/2020 às 08h

Ricky Martin sobre processo criativo durante pandemia

No sofá de sua casa em Los Angeles, nos Estados Unidos, Ricky Martin surge em vídeo em um aplicativo de conferência remota e agradece a um seleto grupo de jornalistas brasileiros, convidado a ouvir em primeira mão seu novo Ep, Pausa, lançado de surpresa para os fãs na sexta-feira (29). Em quarentena, o cantor porto-riquenho tem passado os dias de reclusão social ao lado de sua mãe, Nereida Morelaes, do marido, Jwan Yosef, e dos filhos, Valentino, Mateo, Lucia e Renn. 

"Obrigada por seu tempo! Mas agora todos temos tempo. Estou em pausa. Tudo bem no Brasil?", perguntou em bom português. "Eu moro em Los Angeles e estou aqui fazendo a quarentena com a minha família. A minha mãe está aqui conosco. É muito importante ficar isolado para a saúde da minha mãe e dos meus filhos. Mas tenho sorte de poder trabalhar da minha casa e de poder fazer música, que é um remédio, uma terapia para mim, uma tentativa de fazer uma auto psicanálise", continuou ele, que em parte da entrevista foi interrompido pelo choro de um de seu caçula, Renn, nascido em outubro do ano passado. 

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"Escolhemos lançar o EP de surpresa. O mundo, o cosmo ou Deus disse: 'Relaxa! Não há controle de nada'. A pandemia foi uma surpresa. Estou tentando fazer coisas novas e estou muito inspirado."

Fotografado pelo marido para a capa do EP, Ricky se inspirou no isolamento para criar o conceito da imagem. "Queria me apresentar seminu em frente a uma parede de concreto porque não importa o que você tenha se você está encurralado e de frente para uma parede, que não te permite voar. Não importa nada que você tenha, se tem roupas ou se não tem nada. Comentei essa ideia ao meu esposo e ele tirou a foto. Me lembra um pouco esse conceito da meditação. Em algumas culturas as pessoas ficam em frente a uma parede durante a meditação", explicou ele, que lidou com a ansiedade pelo excesso de informações negativas que lia sobre o coronavírus e teve que ficar offline por um período para melhorar.

"Dentro da loucura que havia na minha cabeça nos primeiros 15 dias de quarentena e de muita ansiedade, era o que eu podia fazer. Eu tinha a ferramenta! Disse para mim: 'Para! Desconecta! Não veja mais televisão, sem notícias. Será só a sua família e você mesmo. Me vi mutas vezes de frente a uma parede, relaxado e isso que eu quis compartilhar com a capa. É um chamado à reflexão. Agora quero que todo mundo tire uma foto igual e coloque nas redes sociais com a legenda Pausa Play."

Fazer as canções com parcerias como a de Sting, Diego El Cigala, Pedro Capó e Carla Morrison surpreendeu o cantor. Ele disse que o processo de criação colaborativa à distância foi bem orgânico.

"Quando a quarentena chegou, eu tinha meu disco, mas não tinha colaborações, além das com Bad Bunny e Residente. No momento desta loucura, dos 15 dias de quarentena, em que não sabia o que iria acontecer com a vida, pensei: 'Algo bom tem que sair de tudo isso'. Comecei a ligar aos meus amigos para ver como eles estavam e para contar que eu também estava nervoso. Todos estavam tristes, mas mudou tudo porque começamos a escrever e a fazer algo. No final, de um jeito tão orgânico, todo mundo que eu liguei, disse 'estou pronto para fazer o que você quiser'", contou, relembrando em especial o contato com o cantor britânico Sting na música Simple.

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