O sinal amarelo das contas públicas estaduais também acendeu no Rio Grande do Norte — e com intensidade acima da média nacional.
Levantamento da XP Investimentos aponta que o estado potiguar aparece entre os casos mais preocupantes do país em 2026, ano eleitoral marcado por deterioração fiscal acelerada nos governos estaduais.
A projeção da corretora é de que os estados brasileiros encerrem o ano com déficit de R$ 6 bilhões, revertendo o superávit de R$ 6,6 bilhões registrado em 2025.
No RN, o problema central está no descompasso entre arrecadação e despesas. Segundo o estudo, os gastos do governo estadual cresceram 17,7%, enquanto as receitas avançaram apenas 5,3%. Trata-se de uma das maiores diferenças do país, atrás apenas do Maranhão.
O economista Tiago Sbardelotto, da XP, destaca ainda que o Rio Grande do Norte fechou o período anterior com caixa negativo em cerca de R$ 3 bilhões — situação que compromete o fluxo financeiro do estado e reduz a margem para enfrentar despesas futuras.
A avaliação da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) também não é confortável. O RN aparece com nota C na capacidade de pagamento, classificação influenciada principalmente pelos problemas de liquidez, mesmo sem apresentar um nível elevado de endividamento.
O quadro se soma ao contingenciamento superior a R$ 800 milhões já anunciado pelo governo Fátima Bezerra ao longo deste ano, consequência da frustração de arrecadação registrada no segundo bimestre.
Na prática, os números reforçam a percepção de que o governo entrou na reta final da gestão pressionado fiscalmente, diante da queda de receitas, do aumento das despesas e das dificuldades de caixa — justamente em um período de forte pressão política e eleitoral.
Desse jeito, Walter Alves terá razão.