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Ênio Sinedino


Política

Estadão: Lula quebra o Brasil para se eleger

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Tem uma frase clássica do ex-governador de SP Orestes Quércia que resume muito bem o que está acontecendo no Brasil hoje: "Quebrei o Banespa, mas elegi meu sucessor." Troque "Banespa" por "Brasil" e "sucessor" por "minha própria candidatura" e você tem o governo Lula em 2026.

O economista Marcos Mendes, da XP Investimentos, fez um trabalho que ninguém no governo queria que fosse feito: somou todas as "bondades" eleitorais que o Planalto vem distribuindo uma a uma.

O resultado?

33 medidas só neste ano, totalizando R$ 215 bilhões em aumento de despesas ou redução de receitas.

Para efeito de comparação, a famigerada PEC da Gastança de 2022 — aquele escândalo que todo mundo lembra — liberou R$ 168 bilhões. Ou seja: o governo atual fez pior, com menos barulho e mais técnica na maquiagem.

O número mais absurdo de todo esse relatório? Apenas 4% desses R$ 215 bilhões aparecem nas métricas do arcabouço fiscal. Isso mesmo. Mais de duzentos bilhões de reais em despesas extras simplesmente... somem. Evaporam. Não existem no papel.

O arcabouço fiscal — aquela regra que substituiu o teto de gastos e que o governo apresentou como a salvação da pátria — está de pé formalmente. Na prática, é uma peça de teatro com contabilidade criativa digna de Leão em Cannes.

O governo usa três truques para fazer essa mágica.

O primeiro: crédito subsidiado que "não é despesa" — porque é empréstimo, tecnicamente. O detalhe é que o dinheiro nunca volta, mas isso é detalhe.

O segundo: fundos públicos usados para bancar programas eleitorais sem passar pelo Tesouro, porque passar pelo Tesouro afetaria o resultado primário. Solução elegante: não passa.

O terceiro: crédito extraordinário, que fica fora do arcabouço por definição. As subvenções aos combustíveis devem seguir por esse caminho, segundo Mendes.

Alguém aí lembra das pedaladas fiscais de Dilma Rousseff ?

Pois é. Não é déjà vu — é a mesma peça com o mesmo elenco, só que com um roteiro ligeiramente mais sofisticado. A diferença é que em 2026 todo mundo já deveria saber o final da história. A conta chega. Sempre chega.

Lula poderá terminar o mandato — ou ganhar o próximo — com a dívida pública na estratosfera, o arcabouço fiscal transformado em peça de ficção científica e a frase de Quércia atualizada nos lábios: "Quebrei o Brasil, mas me reelegi."

 

*Análise da coluna baseada no editorial do Jornal Estado de SP de hoje, 09/06/2026.

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