O clima na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado voltou a ficar tenso nesta terça-feira (9). O presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), reafirmou durante audiência que o Banco Central, sob a gestão de Gabriel Galípolo, teria solicitado um empréstimo de R$ 11 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para viabilizar uma operação envolvendo o Banco Master — informação já negada por Galípolo.
Renan também declarou que ingressou com notícia-crime na Justiça e pediu o bloqueio de bens do ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), do banqueiro Daniel Vorcaro, de Augusto Lima e de outros envolvidos no caso do IPREV Maceió, que perdeu R$ 117 milhões aplicados em letras financeiras do banco liquidado.
A senadora Dra. Eudócia Caldas (PSDB-AL), mãe de JHC, não deixou as declarações passarem sem resposta. A parlamentar, que já vinha subindo o tom desde a semana passada, classificou a atuação de Renan como uma manobra para proteger Daniel Vorcaro. "Senador Renan Calheiros, pare de dar voltas para proteger o patrimônio do seu amigo Daniel Vorcaro. Tá ficando feio. Os crimes que Vorcaro cometeu devem ser pagos por ele — e não pelo Brasil inteiro", disparou a senadora em suas redes sociais.
O embate entre os dois senadores alagoanos ganhou contornos cada vez mais pessoais nas últimas semanas. Eudócia acusa Renan de ser o "advogado de Vorcaro" e de ter atuado como "mentor da estrutura criminosa que desviou mais de R$ 6,5 bilhões dos aposentados brasileiros". Renan, por sua vez, responsabiliza diretamente JHC pelas aplicações feitas pelo IPREV em papéis do Banco Master, afirmando que "as assinaturas foram fraudadas, o que significa uma responsabilidade direta do prefeito do município".
A senadora protocolou notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR), na Polícia Federal, no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Ministério Público Federal (MPF), solicitando o desarquivamento de investigações relacionadas ao caso BMG-INSS e a inclusão de Renan nas apurações. Também desafiou publicamente o colega de bancada a assinar o requerimento de criação da CPI do BMG-Master: "Deixe de conversa mole e assine logo a CPI do BMG-Master. Ou está com medo de todo mundo descobrir suas relações íntimas com o esquema que prejudicou milhares de aposentados e pensionistas do INSS?"
O confronto entre os Calheiros e os Caldas, que já alternou momentos de trégua e hostilidade desde o ano passado, agora ocorre em pleno cenário de pré-campanha ao Senado em 2026, onde ambas as famílias disputam protagonismo político em Alagoas.