Atacante da seleção brasileira na disputa do Sul-Americano Sub-20, no Paraguai, Gisele precisou amadurecer muito cedo para conquistar espaço no futebol. O sonho de se tornar jogadora começou na infância, na cidade de Santo Antônio, onde nasceu. Sair do interior do Rio Grande do Norte aos 15 anos e atravessar o país para defender o Grêmio foi um desafio que se tornou inspiração para outras meninas. A reportagem é do ge.
- (Santo Antônio) É uma cidade simples, com poucos habitantes e pouca visibilidade para o futebol feminino. Eu queria muito sair de lá para realizar meu sonho e o da minha família. Como mulher nordestina, vejo que sou uma inspiração para muitas meninas que querem jogar, mas não têm tanta condição de sair. Isso me dá força para continuar, porque sei que o futebol é complicado, ainda mais para quem mora no Nordeste - contou.
Largar a convivência diária com a mãe e os cinco irmãos também não foi fácil. A base de Gisele foi na sua cidade em um projeto social comandado pelo treinador Wenderson Dantas, do futsal até migrar para o campo. A rotina era intensa: saía de casa pela manhã e só retornava à noite. Com o tempo, veio outra escolha: aos 14 anos, pediu para morar com o treinador, que também atuava no conselho tutelar e acolhia jovens, especialmente meninas que jogavam futebol na região.
- Saí de casa. Saí dos braços da minha mãe para ir atrás do que eu acreditava. Ele (Wenderson) me deu a oportunidade de jogar e sempre me apoiou. Foi difícil para ela, mas ele morava perto, então sempre que tinha tempo ia ficar com ela. Hoje eu o chamo de pai. Não é de sangue, mas é de consideração. No começo eu tinha vergonha, mas ele me acolheu, me aconselhou e foi o apoio que eu precisava naquele momento - explicou.
Com 18 anos, Gisele é hoje uma das mais experientes da seleção brasileira sub-20. Além de integrar o time profissional do Grêmio, a atacante potiguar já tem no currículo a participação na Copa do Mundo Sub-20, disputada na Colômbia. Á época, a experiência foi desafiadora, principalmente pela convivência com jogadoras mais experientes, mas também transformadora.
- Peguei tudo de bom para mim. Era um grupo que parecia uma família, todo mundo se ajudava. Muitas meninas sonham em jogar uma Copa do Mundo. Só de estar ali já era mais um sonho realizado - lembra.
- Amadureci muito. Sou uma das mais experientes e trago o que aprendi para ajudar as mais novas. É desafiador, mas estou muito feliz - concluiu.