O governo dos Estados Unidos voltou a defender que o desmatamento no Brasil gera uma vantagem competitiva considerada desleal para os produtores brasileiros. A declaração foi feita nesta terça-feira (22) por Jamieson Greer, representante do Escritório de Comércio dos EUA (USTR), ao justificar a investigação comercial aberta contra o país e a imposição de tarifas de 25% sobre parte das importações brasileiras.
Durante audiência sobre a política comercial da gestão de Donald Trump, Greer afirmou que os Estados Unidos passaram a exigir padrões ambientais mínimos de seus parceiros comerciais para garantir igualdade de condições na concorrência. Segundo ele, o desmatamento motivou a abertura da investigação com base na Seção 301 da legislação norte-americana, que também apura questões como comércio digital, propriedade intelectual, tarifas preferenciais e acesso ao mercado de etanol.
O representante reafirmou que a estratégia comercial da Casa Branca continuará baseada na combinação de tarifas e acordos internacionais para fortalecer a indústria americana, proteger trabalhadores e reduzir o déficit comercial. Greer também defendeu o incentivo à produção doméstica de fertilizantes, destacando que o objetivo é reduzir a dependência de fornecedores externos, especialmente da China, e evitar distorções provocadas por subsídios concedidos por outros países.
Na área agropecuária, o chefe do USTR citou como exemplo a abertura do mercado australiano para a carne bovina dos Estados Unidos após duas décadas de restrições e a retomada das habilitações de frigoríficos americanos para exportação à China. Greer também afirmou que Washington trabalha para ampliar o acesso de produtos agrícolas ao México e ao Canadá, ao mesmo tempo em que critica barreiras comerciais impostas pelo governo canadense a mercadorias norte-americanas.