Neste sábado (4), o mundo celebra o Dia Internacional do Cooperativismo. Em um cenário marcado por guerras, polarização política, intolerância, desigualdades sociais e relações cada vez mais individualistas, o tema do CoopsDay 2026 — “Cooperativas por um mundo pacífico” — mostra-se mais atual do que nunca.
A proposta da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), em parceria com o Comitê para a Promoção e o Desenvolvimento das Cooperativas (COPAC) e reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), convida governos, instituições e cidadãos a refletirem sobre um aspecto muitas vezes negligenciado: a paz também é construída pela forma como uma sociedade gera riqueza, distribui oportunidades e organiza suas relações econômicas.
Essa é uma das principais contribuições do cooperativismo para o mundo contemporâneo. Diferentemente de modelos baseados exclusivamente na competição, o cooperativismo nasce da cooperação. Em vez de concentrar resultados nas mãos de poucos, distribui oportunidades entre aqueles que constroem coletivamente o empreendimento. Em vez de estimular disputas permanentes, fortalece o diálogo, a confiança, a corresponsabilidade e a participação democrática.
Mais do que um modelo de negócios, o cooperativismo representa uma forma diferente de promover o desenvolvimento. A paz defendida pelo movimento vai além da ausência de conflitos: significa inclusão econômica, geração de trabalho e renda, redução das desigualdades, fortalecimento das comunidades e criação de oportunidades por meio do esforço coletivo.
Essa visão está diretamente alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16 da ONU, que trata da promoção da paz, da justiça e de instituições eficazes. Afinal, sociedades mais justas tendem a ser também mais pacíficas.
No Rio Grande do Norte, esse impacto é percebido diariamente. O cooperativismo tem desempenhado papel fundamental no desenvolvimento socioeconômico do estado, demonstrando que crescimento econômico e compromisso com as pessoas podem caminhar juntos. Atualmente, o RN conta com 96 cooperativas registradas na OCERN, reunindo 82.858 cooperados e gerando 2.979 empregos diretos. Presentes nos ramos de saúde, crédito, agropecuária, transporte, seguros, infraestrutura, consumo, trabalho e produção de bens e serviços, as cooperativas fortalecem a economia, promovem inclusão e ampliam oportunidades em todas as regiões potiguares.
Um exemplo dessa transformação está no artesanato potiguar.
Muito antes de chegarem às vitrines, feiras e grandes eventos nacionais, as peças artesanais nascem das mãos de pessoas que preservam saberes transmitidos de geração em geração. Os bordados e rendas de bilro de Timbaúba dos Batistas e Caicó, as esculturas em madeira do Seridó, as peças em cerâmica e os trançados em fibras vegetais carregam muito mais que beleza: representam identidade, memória e pertencimento.
Quando esses artesãos se organizam em cooperativas, preservam não apenas uma atividade econômica, mas também um importante patrimônio cultural. Ganham força para negociar, ampliam mercados, compartilham conhecimento, reduzem custos e garantem que o valor do trabalho permaneça nas próprias comunidades.
É o que fazem cooperativas como a Comart, referência nacional pelos bordados do Seridó; a Coopercrutac, protagonista na organização do setor artesanal e na construção de políticas públicas; além da Cobarts, da Coase e da Coomea, que demonstram diariamente como a cooperação fortalece o empreendedorismo, valoriza a cultura e promove inclusão social.
Nesse contexto, a paz deixa de ser um conceito abstrato e passa a ser uma prática cotidiana. Ela se manifesta quando mulheres conquistam autonomia financeira por meio do bordado, quando famílias conseguem permanecer em suas comunidades graças ao trabalho coletivo, quando jovens encontram perspectivas de futuro sem deixar suas raízes e quando o desenvolvimento econômico acontece sem romper os laços de solidariedade.
Esse é o verdadeiro significado do tema escolhido para o Dia Internacional do Cooperativismo.
Como afirma o presidente do Sistema OCERN, Eduardo Gatto, “o tema deste Dia Internacional do Cooperativismo traduz aquilo que as cooperativas fazem todos os dias. Ao promover inclusão econômica, fortalecer comunidades e criar oportunidades para milhares de pessoas, o cooperativismo demonstra que a paz também se constrói por meio da cooperação. No Rio Grande do Norte, temos orgulho de ver esse modelo transformando vidas e impulsionando o desenvolvimento em todas as regiões do estado.”
Em um mundo acostumado a medir o sucesso pela competição, o cooperativismo demonstra que o desenvolvimento mais duradouro nasce da confiança. Onde há confiança, há diálogo. Onde há diálogo, surgem oportunidades. E quando as pessoas escolhem caminhar juntas, a paz deixa de ser apenas um ideal para se tornar uma realidade construída todos os dias.
Neste Dia Internacional do Cooperativismo, celebrar as cooperativas é reconhecer que existe uma forma mais humana, democrática e sustentável de fazer economia. É reconhecer que, quando as pessoas cooperam, todos crescem juntos e que a paz, antes de ser um destino, é uma construção coletiva renovada diariamente por quem escolhe cooperar.