O ex-major da Polícia Militar Sergio Roberto de Carvalho, conhecido como “Pablo Escobar brasileiro”, vai a julgamento na Bélgica acusado de chefiar uma das maiores redes de tráfico internacional de cocaína já documentadas por autoridades europeias. Segundo reportagem da Gazeta do Povo, documentos apontam que ele teria comandado uma estrutura independente responsável pelo envio de ao menos 67 toneladas de cocaína da América do Sul para a Europa entre 2017 e 2020.
As investigações indicam que o esquema usava rotas marítimas, portos estratégicos e uma complexa rede de colaboradores para transportar grandes carregamentos de droga ao mercado europeu. O caso ganhou força a partir de informações obtidas por meio do EncroChat, sistema de comunicação criptografada usado por criminosos e posteriormente infiltrado por autoridades internacionais.
Sergio Roberto de Carvalho, que já integrou a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, é apontado por investigadores como uma figura central na articulação logística e financeira do esquema. Ele nega as acusações. O brasileiro também ficou conhecido por usar identidades falsas e por ter simulado a própria morte, estratégia que teria sido usada para escapar da ação policial internacional.
O julgamento na Bélgica é considerado um dos mais importantes processos contra o narcotráfico internacional envolvendo um brasileiro. Para autoridades europeias, o caso mostra como organizações criminosas sul-americanas passaram a operar com alto grau de sofisticação, conectando produtores, operadores portuários, intermediários financeiros e distribuidores no continente europeu.
Rede teria atuação dos dois lados do Atlântico
De acordo com a reportagem da Gazeta do Povo, a Polícia Federal brasileira e a Europol avaliam que a estrutura atribuída ao ex-major continuaria ativa dos dois lados do Oceano Atlântico. A suspeita é que, mesmo com prisões e apreensões, parte da engrenagem financeira e logística do grupo tenha permanecido funcionando.
O caso também reforça a preocupação das autoridades com o uso de tecnologias criptografadas por organizações criminosas. A quebra do EncroChat permitiu mapear conversas, rotas, contatos e operações, transformando mensagens digitais em peça central da acusação. Agora, caberá à Justiça belga decidir se as provas sustentam a tese de que Sergio Roberto de Carvalho comandou o maior esquema de cocaína já documentado em investigações do tipo.