Em reunião do Conselho Técnico realizada nesta quinta-feira (5), a Confederação Brasileira de Futebol aprovou uma das mudanças mais profundas no regulamento da Segundona dos últimos anos: a criação dos playoffs de acesso.
Na prática, a CBF resolveu mexer onde dói: no acesso à Série A. A partir de 2026, apenas os dois primeiros colocados da Série B sobem diretamente. As outras duas vagas serão decididas em mata-mata entre 3º, 4º, 5º e 6º colocados, em confrontos de ida e volta.
Os cruzamentos já estão definidos: 3º x 6º e 4º x 5º. Quem passar, sobe. Quem cair, fica. Simples assim. Os jogos acontecerão nos dias 21 e 28 de novembro, fechando a temporada da Segundona com clima de final.
Oficialmente, o discurso é de modernização. Extraoficialmente, a lógica é clara: mais emoção, mais audiência, mais produto. A CBF está importando para a Série B a lógica do entretenimento, criando finais artificiais para manter clubes e torcedores engajados até o último suspiro.
Do ponto de vista comercial, faz sentido. Playoff vende. Gera narrativa, decisão, drama e picos de audiência. Do ponto de vista esportivo, a conta é mais complexa.
A Série B sempre foi, talvez, o campeonato mais meritocrático do país: 38 rodadas, quatro sobem, quem for mais regular é premiado. Agora, regularidade vira meio caminho. O resto depende de dois jogos.
Um time pode ser sólido por oito meses e perder o acesso em 180 minutos. Outro pode fazer uma campanha apenas correta, terminar em sexto e subir embalado em duas boas noites.
É justo? Depende da ótica. Para a CBF, que pensa produto, é ótimo. Para quem pensa futebol como competição esportiva, é uma quebra clara de lógica.
Na prática, a CBF está dizendo: não basta ser bom, tem que saber decidir. A Série B deixa de ser uma maratona pura e vira, também, uma prova de tiro curto.
E tudo isso num calendário ainda mais pesado. A Série B 2026 começa em 21 de março e não terá pausa no meio do ano, nem durante a Copa do Mundo. Ou seja: menos descanso, mais desgaste, mais pressão… e agora, mais risco.
A Segundona entra oficialmente na era do drama por decisão da CBF. E quem não souber lidar com isso, vai continuar batendo na trave, mesmo fazendo um grande campeonato.