O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), utilizou uma aeronave de uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em 4 julho de 2025 para viajar de Brasília (DF) a Marília (SP), segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (1°) pelo jornal Folha de S.Paulo.
A informação é da CNN. O voo – identificado a partir do cruzamento de dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) e do Registro Aeronáutico Brasileiro – teria ocorrido no mesmo dia e, que seguranças do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo foram deslocados no mesmo dia para Ribeirão Claro (PR), cidade onde fica o resort Tayayá, localizado a 150 quilômetros de Marília.
Procurado pelo jornal e também pela CNN Brasil, o ministro Dias Toffoli ainda não se manifestou. A defesa de Vorcaro também preferiu não comentar a publicação.
Voos de Moraes
A aeronave pertence à Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo da qual Vorcaro era sócio por meio do fundo Patrimonial Blue e seria a mesma usada pelo ministro Alexandre de Moraes em viagens para São Paulo em ao menos três ocasiões, segundo reportagem também publicada pela Folha de S.Paulo.
Na ocasião, o gabinete de Moraes se manifestou. Em nota, afirmou que as informações da reportagem são ilações falsas.
“As ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas. O Ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fábio Zettel, a quem nem conhece.”
A empresa Prime Aviation também foi procurada. Para ambos os casos, no entanto, informou que não divulga dados sobre os usuários das aeronaves do seu portfólio, sejam eles cotistas e seus convidados ou clientes de fretamento do serviço de táxi aéreo por questões de confidencialidade dos contratos.
Toffoli e o Tayayá
Toffoli é sócio da empresa Maridt, que vendeu sua participação no resort Tayayá, no Paraná, para um fundo do cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel. Os dois estão presos em regime fechado por suspeitas de fraudes e irregularidades no escândalo do Banco Master.
Em novembro de 2025, o ministro também viajou em um jatinho particular com um dos advogados do caso Master para assistir à final da Libertadores da América, instituição que logo depois seria alvo de um caso que cairia nas mãos do próprio Toffoli por meio de sorteio no STF.
O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso Master no STF meses depois, logo após a Polícia Federal entregar um relatório ao presidente do Supremo, Edson Fachin, sobre sua relação com Vorcaro.