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Internacional

Indústria prevê crescimento de 7% nas exportações de carne bovina para a UE

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A Indústrias Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) projeta um crescimento entre 5% e 7% nas exportações para a União Europeia após a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu. A estimativa foi apresentada pelo presidente da Abiec, Roberto Perosa, durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo nesta segunda-feira (19). Com informações da CNN.

Em 2024, o Brasil exportou cerca de 128 mil toneladas de carne bovina para os países da União Europeia. Com o novo acordo, a expectativa é de ampliação desse volume, ainda que de forma gradual, uma vez que a liberação das cotas sem tarifação será feita em etapas e depende da aprovação do tratado pelos parlamentos nacionais dos países envolvidos.

Pelo acordo, a União Europeia concederá ao Mercosul uma cota de 99 mil toneladas de carne bovina sem tarifa de importação, a ser dividida entre os países do bloco sul-americano. Conforme entendimento firmado em 2019, o Brasil deverá ficar com 42% desse total, o equivalente a aproximadamente 41,6 mil toneladas.

Atualmente, os principais destinos da carne bovina brasileira na União Europeia são Itália, Países Baixos, Espanha, Alemanha e Bélgica, mercados que concentram a maior parte dos embarques e que apresentam demanda por produtos com elevados padrões sanitários e de rastreabilidade.

No campo institucional, a Abiec destacou o esforço contínuo de articulação com o governo federal para ampliar o acesso da carne brasileira a mercados estratégicos. Apenas neste ano, a entidade já realizou cinco reuniões com autoridades federais, tratando de temas como negociações comerciais com a China, linhas de crédito para o setor, reconhecimento sanitário internacional e abertura de novos mercados.

Para a associação, o acordo Mercosul UE reforça a estratégia de diversificação de destinos das exportações brasileiras de carne bovina e contribui para reduzir a dependência de mercados específicos. “Não é um volume tão grande, mas traz impacto positivo para a balança comercial e fortalece a presença da carne brasileira em um mercado estratégico”, afirmou Perosa.

Exportações em 2026 

O Brasil deverá exportar entre 3,3 milhões e 3,5 milhões de toneladas de carne bovina em 2026, mesmo após a China, principal destino do produto brasileiro, impor medidas de salvaguarda para proteger seu setor doméstico. Em 2025, o país exportou  3,5 milhões de toneladas, e a expectativa agora é de leve acomodação nos volumes, sem impacto relevante na receita.

Segundo a Abiec, a combinação de déficit global de carne bovina, produção brasileira estabilizada e reação dos preços no mercado internacional tende a compensar eventuais restrições.

A entidade informou ainda que cerca de 250 mil toneladas de carne bovina estavam a caminho da China quando as salvaguardas entraram em vigor. Ainda não está definido se esse volume será contabilizado dentro das cotas de 2026. Para tratar sobre o tema, o governo federal brasileiro deve se reunir ainda nesta semana com autoridades chinesas, em busca de alternativas para mitigar os efeitos das medidas chinesas.

A Abiec defende ainda que eventuais cotas não aproveitadas por outros países exportadores sejam realocadas ao Brasil. Na sexta-feira (17), representantes da entidade se reuniram com o Ministério do Comércio da China (Mofcom) para discutir o assunto. Segundo Roberto Perosa, presidente a Abiec, a posição chinesa foi objetiva. O foco está no cumprimento do volume anual de 1,106 milhão de toneladas, enquanto a forma de gestão interna desse limite cabe exclusivamente ao Brasil.

No mercado interno, a avaliação é de estabilidade. Não há espaço para grandes movimentações de preços no Brasil. Diferentemente do ano passado, o mercado está mais consolidado. Aproximadamente 70% da produção nacional segue destinada ao consumo doméstico, que permanece como principal mercado da carne brasileira.

Além da China, a Abiec destaca oportunidades em outros países como a indonésia e o México, que segue como destino relevante, apesar do fim do plano de combate à inflação que zerava tarifas para a carne brasileira. Para a carne bovina, foi estabelecida uma cota de 70 mil toneladas e, após esse limite, incide uma tarifa de 20%. Mesmo assim, a entidade acredita na manutenção dos volumes exportados, diante da escassez global do produto.

A estratégia do setor inclui ações de promoção comercial em diversos países ao longo do ano, além da participação em feiras internacionais, para ampliar mercados e agregar valor. Com isso, a Abiec avalia que o faturamento pode se manter elevado, sustentado por preços internacionais mais firmes, especialmente em momentos de restrição de oferta, como já observado recentemente no mercado chinês.

Para a associação, o cenário segue positivo, com produção estabilizada, demanda externa aquecida e espaço para o Brasil conquistar novos mercados, sem comprometer o abastecimento interno.

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