Segundo o documento, todos os ossos foram examinados detalhadamente e não apresentaram sinais de fraturas, inclusive no crânio — região onde havia suspeita de trauma provocado por objeto contundente.
Apesar disso, os peritos destacam que a ausência de fraturas não descarta totalmente a possibilidade de agressão. Conforme a literatura veterinária citada no laudo, muitos traumas cranianos não deixam marcas ósseas, mas ainda podem levar o animal à morte. Assim, é considerada plausível a hipótese de que o cão tenha sofrido um impacto na cabeça e apresentado piora clínica progressiva posteriormente.
A exumação foi realizada no dia 11 de fevereiro, mais de um mês após a morte do animal, na Praia Brava, em Florianópolis. O corpo já estava em avançado estado de esqueletização, o que impossibilitou a análise de tecidos moles e órgãos internos.
A perícia também descartou a hipótese de que um prego tenha sido cravado na cabeça do cão, já que não foram encontrados vestígios compatíveis, como fratura circular no crânio.
Exumação foi solicitada pelo Ministério Público
O procedimento foi realizado após pedido do Ministério Público de Santa Catarina, que solicitou 35 novas diligências para aprofundar as investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Anteriormente, a corporação havia concluído que um adolescente seria o responsável pela morte do animal, apontando que Orelha teria sido atingido por um golpe na cabeça, possivelmente com chute ou objeto rígido, como madeira ou garrafa.
O caso Orelha
O cão foi encontrado agonizando na praia no dia 5 de janeiro por moradores e levado para atendimento veterinário, mas não resistiu aos ferimentos. De acordo com o veterinário responsável pelo socorro, o animal apresentava graves lesões na cabeça, no olho esquerdo e sinais de desidratação severa.
Ao longo das investigações, oito adolescentes chegaram a ser investigados no caso, que gerou grande comoção entre moradores e defensores da causa animal.