O promotor de Justiça de São Paulo, Lincoln Gakaya, trouxe à luz na CPI do Crime Organizado informações alarmantes sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele classificou a facção, a maior organização criminosa do Brasil e da América do Sul, como uma entidade em estágio "mafioso". Gakaya detalhou a sofisticação e o poder financeiro do grupo, que teve origem prisional em 1993.
O promotor confirmou que líderes procurados do PCC, alguns na lista vermelha da Interpol, estão estabelecidos na Bolívia. Segundo ele, esses criminosos vivem em condomínios de luxo em Santa Cruz de la Sierra, ostentando uma vida de milionários e utilizando documentos falsos.
Eles contam com a proteção de autoridades bolivianas, incluindo membros da polícia e até das forças armadas do país vizinho.
Gakaya destacou o crescimento exponencial do faturamento anual da facção, que saltou de cerca de R$ 10 milhões em 2010 para uma estimativa de 2 bilhões de dólares (cerca de R$ 10 a 12 bilhões) anualmente. A organização, presente em 28 países, evoluiu na área de lavagem de dinheiro e mantém laços estreitos com máfias europeias como a 'Ndrangheta e a Camorra.
Diante da situação, o promotor apelou para que o Brasil cobre e estreite o relacionamento com a Bolívia, especialmente após a mudança de governo que prometeu combater o narcotráfico. Ele ressaltou a necessidade de garantir o cumprimento de mandados de prisão que, em alguns casos, estão em aberto há décadas, citando o exemplo de criminosos que passaram 20 anos no país vizinho.