O índice de homicídios contra crianças foi debatido ao longo da semana no Jornal 96. A discussão partiu de uma constatação recorrente no noticiário policial: o número de crimes contra crianças no Rio Grande do Norte e a gravidade das ocorrências. Em diferentes períodos, casos de extrema violência resultaram na morte de vítimas ainda na infância, evidenciando um padrão que mobiliza autoridades e preocupa a sociedade.
De acordo com especialistas em segurança pública, a vulnerabilidade infantil exige atenção constante. A análise aponta que a violência, em muitos casos, parte de adultos próximos ao convívio das vítimas, o que dificulta a identificação prévia do risco. Além disso, crianças tendem a não reconhecer situações de perigo ou não conseguem expressar com clareza episódios de abuso, o que contribui para a continuidade das agressões.
Autoridades também destacam que, mesmo quando há tentativa de relato por parte da criança, nem sempre há credibilidade imediata por familiares, o que agrava o cenário. A combinação entre proximidade do agressor, dificuldade de comunicação da vítima e falhas na escuta ativa cria um ambiente propício para a ocorrência de crimes.
CASOS RECENTES E HISTÓRICOS
Entre os episódios mais recentes está o assassinato de Pétala Yonah Silva Nunes, de 7 anos, ocorrido no dia 19. A criança desapareceu no bairro Guarapes, em Natal, e foi encontrada no dia seguinte, enterrada no quintal da casa do ex-padrasto, José Alves Teixeira Sobrinho, de 23 anos.
As investigações indicam que o crime foi premeditado. O suspeito amarrou e amordaçou a vítima antes de colocá-la em uma cova rasa, onde ela morreu por asfixia. A motivação, segundo a apuração policial, foi atingir a mãe da criança após o fim do relacionamento. O caso foi enquadrado como vicaricídio, tipificação recente no ordenamento jurídico brasileiro que caracteriza a morte de pessoas próximas como forma de causar sofrimento psicológico a terceiros.
Outro caso de grande repercussão foi o de Maria Fernanda da Silva Ramos, de 12 anos, desaparecida em 31 de outubro de 2024, em São Gonçalo do Amarante. O corpo foi encontrado quatro dias depois, em Extremoz. A investigação apontou que a vítima foi estuprada e morta por espancamento.
O principal suspeito, um ex-vizinho da família, confessou o crime e demonstrou conhecimento sobre ocultação de provas, o que levou a polícia a aprofundar a análise de seu histórico. Ele aguarda julgamento e pode responder por estupro de vulnerável, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Em 2018, o assassinato de Maria Carla da Silva, de 12 anos, em Apodi, também gerou comoção. O autor, cunhado da vítima, foi condenado a mais de 23 anos de prisão. A investigação concluiu que o crime foi premeditado após conflitos familiares, e a vítima foi morta por estrangulamento.
Já o caso de Maria Luíza Fernandes Bezerra, de 15 anos, ocorrido em 2009, envolveu tortura, violência sexual e homicídio. O corpo da adolescente foi encontrado em um lixão na Zona Oeste de Natal. Dois homens foram condenados, com penas superiores a 24 anos de prisão.
No mesmo ano, o crime contra Maisla Mariano Santos de Moura, de 11 anos, em São Gonçalo do Amarante, entrou para a história como um dos mais brutais do estado. A vítima foi estuprada, torturada e esquartejada. O autor foi condenado a mais de 40 anos de prisão.
Em 2018, a morte de Iasmin Lorena Pereira de Melo, de 12 anos, também evidenciou a gravidade da violência infantil. A menina desapareceu ao sair de casa e foi encontrada semanas depois, enterrada em uma construção. O autor foi condenado a 31 anos de prisão por homicídio qualificado, estupro de vulnerável e ocultação de cadáver.
Outro episódio marcante ocorreu no fim da década de 1990, quando Misael Pereira da Silva, conhecido como “Maníaco da Bicicleta”, foi preso após cometer uma série de ataques contra crianças.