O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, se pronunciou nas redes sociais minutos após a rejeição de Jorge Messias pelo Senado. Em tom respeitoso à decisão da Casa, mas claramente favorável ao indicado, Mendes afirmou que "a decisão do Senado deve ser respeitada", ao mesmo tempo em que classificou Messias como "um dos maiores juristas da história recente do Brasil", cuja trajetória é "marcada por dignidade, retidão e dedicação ao serviço público".
O ministro reiterou que sempre defendeu publicamente que o advogado-geral da União reúne as credenciais necessárias para a magistratura e que mantém essa posição.
A manifestação de Gilmar não é novidade. Já em 12 de abril, semanas antes da sabatina, o decano havia saído em defesa de Messias ao rebater o que chamou de "críticas vazias e apressadas" da imprensa, destacando a "vasta experiência na administração pública" e a "sólida formação acadêmica" do indicado. Na ocasião, chegou a afirmar que "o Senado saberá analisar seus múltiplos atributos", numa aposta que não se confirmou com o placar de 42 votos contrários e 34 favoráveis registrado na noite desta quarta-feira (29).
No pronunciamento pós-rejeição, Gilmar fez questão de destacar que Messias enfrentou "cinco meses de rigoroso escrutínio público" e, "por vezes, graves ataques à sua honra", mantendo-se com "coragem, dignidade e humildade" ao longo de todo o processo. "A história saberá fazer justiça à sua trajetória", escreveu o ministro, acrescentando que "o Brasil ganha em tê-lo onde estiver".
A postura do decano reforça a percepção de que a rejeição de Messias abriu uma fissura entre o Senado e setores do próprio STF. Enquanto a colunista Raquel Landim, do Estadão, apontou que a votação serviu como "recado à Corte" em meio a escândalos como o do Banco Master, Gilmar escolheu o caminho oposto: blindar a reputação do indicado e sinalizar que a derrota foi mais política do que técnica. A declaração de que Messias "sempre afirmou publicamente que reúne as credenciais exigidas para a magistratura" deixa implícita a leitura de que o Senado rejeitou o nome por razões alheias à competência jurídica do advogado-geral da União.