O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), está tentando marcar um encontro com o presidente Lula (PT) para esta semana, para tratar da investigação da Polícia Federal (PF) contra o senador. O parlamentar chegará a Brasília na quarta-feira, 24, e, conforme apurou O Antagonista, o encontro deve ocorrer na mesma data. A informação é do O Antagonista.
Na semana passada, após a deflagração da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, o presidente da República chegou a conversar com Jaques Wagner por telefone.
Segundo o senador, Lula ligou para ele para prestar solidariedade diante da operação. Conforme Wagner, na ligação, o presidente disse que a investigação se trata de uma “tentativa de desestabilizar“ o congressista.
“O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar comigo. Dizer que mantém a absoluta confiança nele. A gente se conhece há 48 anos. E, portanto, ele sabe qual é o meu jeito de agir. Aliás, a Bahia sabe, porque a Bahia é terra de muro baixo. Se eu tivesse qualquer tipo de esquema fora do permitido, seguramente todo mundo saberia”, falou o parlamentar, em entrevista à BandNews.
“Vou repetir: eu não tenho CNPJ, eu só tenho o eu CPF. Então, ele só ligou para dizer ‘fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança’. Então, do meu ponto de vista, o que eu tenho até agora do presidente Lula é a solidariedade ao ocorrido”.
Ainda na entrevista, Jaques Wagner afirmou que sua candidatura à reeleição está mantida e que segue como líder do governo no Senado.
“A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e não acho… sinceramente, é muito difícil que ele mexa na minha posição, pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim. Fez questão de me ligar, se solidarizar comigo, e ele que já teve problemas até maiores do que esse, como eu tive, mas ele muito pior, que foi preso e depois inocentado, e está aí como presidente”, declarou.
“Eu continuo na liderança, até que o presidente Lula peça para eu me retirar. Não acho que ele vai fazer isso, mas se ele fizer é um direito dele. O cargo é do presidente da República, o cargo de líder do governo, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema. Então, na minha opinião, ele vai manter. Até porque, repare, isso por enquanto é uma mera investigação, como foi a investigação de 2018 sobre a Fonte Nova”, pontuou.
“Até agora eu não sou réu, não sou culpado, não sou nada. É uma investigação em cima no que eu imagino que a PF encontrou no celular ou em alguma delação de alguém, que eu desconheço quem foi, e vieram conferir comigo. Eu estou absolutamente tranquilo em relação a tudo que eu tenho dizer”.
Entretanto, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) defendeu na última quinta-feira, 18, que Jaques Wagner saia do cargo de líder do governo na Casa Alta, por ser investigado pela Polícia Federal.
Operação contra Jaques Wagner
A Polícia Federal deflagrou na quinta uma nova fase da operação Compliance Zero, desta vez mirando Jaques Wagner.
Ao todo, buscou-se cumprir 18 mandados de busca e apreensão que foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Um dos locais da busca foi o hotel Brasília Palace, na capital federal, onde Wagner reside.
Segundo a Polícia Federal, também buscou-se cumprir medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.
“Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro”, informou a PF.
Também foi alvo da PF o empresário Augusto Lima, aliado de Vorcaro. A corporação suspeita que Wagner atuou em favor de Lima no Senado e que, em contrapartida, teria recebido propina da ordem de 3,5 milhões de reais por meio de um imóvel registrado em nome de parentes, entre outras formas de pagamento. Wagner também teria recebido ingressos para shows e feito viagens em jatinhos bancados por Vorcaro.
A PF sustenta que Wagner atuou em favor do Master tanto na chamada “emenda Master”, que visava ampliar o limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), quando em outra proposta para ampliar os limites de concessão de crédito consignado.