O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu endurecer o tom adotado ao abordar as suspeitas envolvendo o filho Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, para tentar se afastar do desgaste eleitoral causado pelas investigações que miram suspeitas de tráfico de influência. Integrantes da campanha afirmam que o petista está convencido da necessidade de ser mais incisivo ao afirmar que não vai tentar interferir nas investigações.
Lula passará a reforçar que “ninguém está acima da lei” no governo dele e que não irá trocar delegado ou investigadores para beneficiar o filho. Com o avanço das investigações, que mostram suspeitas sobre a atuação de Lulinha em parceria de uma lobista, o tema se tornou um dos pontos mais vulneráveis da sua campanha à reeleição.
Nas declarações, Lula tentará comparar sua atuação com a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que em reunião ministerial em 2020 afirmou que trocaria até o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para proteger a família.
O presidente também deverá ser mais enfático ao afirmar que quem errou, que pague, sem deixar de reforçar que todos têm direito a defesa. A mudança no tom está prevista para ocorrer durante sabatina ao Jornal Nacional, na quinta-feira. Lulinha está sendo investigado em três inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de tráfico de influência no governo federal.
Uma das linhas seguidas pelos investigadores é a relação com a lobista e empresária Roberta Luchsinger, que tentou fechar contratos com a União. Os dois são amigos, e a relação já foi questionada por Lula em conversa com o filho. Um deles envolveria as discussões de um contrato para fornecimento de medicamentos à base de cannabis. O contrato não foi fechado pelo Ministério da Saúde.