O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, presta depoimento nesta quinta-feira (27/8) à Polícia Federal no âmbito do inquérito que investiga suposta corrupção de servidores do Banco Central (BC).
Ao contrário do que se esperava, Vorcaro sinalizou a interlocutores que não pretende ficar em silêncio e irá responder a todos os questionamentos dos investigadores — colocando sob os holofotes os principais alvos de sua fala.
O depoimento será prestado por videoconferência a partir da Papudinha, unidade do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde Vorcaro está preso preventivamente.
Vorcaro deverá ser questionado sobre ao menos dois ex-servidores do Banco Central afastados de suas funções por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um deles é Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC, que, segundo elementos reunidos pela PF, atuava como uma espécie de "empregado" de Vorcaro dentro da autarquia.
O outro é Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC, também suspeito de ter atuado como consultor informal do banqueiro. Ele chegou a criar um grupo de mensagens, em outubro de 2025, para "facilitar" a interlocução com Vorcaro.
Mensagens recuperadas no celular do banqueiro e anexadas ao inquérito mostram que ele mantinha uma rede de contatos dentro do próprio Banco Central antes da liquidação do Master, com servidores repassando informações internas ao banqueiro.
Este será o primeiro depoimento de Vorcaro desde que ele trocou sua equipe de defesa, contratando o criminalista Daniel Bialski para atuar ao lado do advogado Sérgio Leonardo, em uma nova tentativa de viabilizar um acordo de colaboração premiada com as autoridades.
A oitiva já havia sido marcada anteriormente, mas foi adiada a pedido da defesa, que alegou não ter tido acesso a todos os autos do processo.
Além do inquérito sobre corrupção no BC, Vorcaro também é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias cometidas pelo Banco Master — liquidado pela autarquia em novembro de 2025.
Ele responde ainda pelo chamado "Projeto DV", suposto esquema que teria pago até R$ 2 milhões a influenciadores e jornalistas para atacar o Banco Central e defender o banqueiro e sua instituição durante a crise que antecedeu a liquidação.