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Cidades

Não bastou a tragédia: internautas culpam mulher por crime que não cometeu

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A tragédia registrada em Itumbiara provocou comoção nacional. Mas, além da dor pela perda das crianças, outro movimento chama atenção: a onda de comentários nas redes sociais tentando responsabilizar a mãe por um crime que ela não cometeu.

No YouTube e Instagram da 96FM, diversos internautas passaram a condenar a mulher com base em julgamentos morais sobre sua vida pessoal. Comentários, direcionaram críticas à mãe.

“Ela tem culpa também, porque não separou”, escreveu um usuário.

“Se fosse uma mãe de verdade jamais viajaria sem levar os filhos”, publicou uma internauta.

“A mulher é uma santa, faz uma estátua pra ela”, comentou um usuário.

No Instagram, parte das mensagens associou a tragédia a supostos erros pessoais e falou em consequências emocionais para o resto da vida.

“Agora ela vai passar o resto da vida pensando que perdeu um filho por conta de uma traição”, escreveu uma seguidora.

“A mulher sábia edifica. A insensata destrói com as próprias mãos”, publicou outro comentário.

O problema é claro: não há qualquer parcela de culpa direta atribuída à mãe no crime. O autor do ato foi quem executou a violência. Ainda assim, parte do público insiste em dividir a responsabilidade, como se decisões pessoais justificassem ou explicassem um assassinato.

Esse tipo de reação revela algo preocupante. Quando se tenta transferir culpa para quem não praticou o crime

Especialistas em comportamento social apontam que a culpabilização da mulher em casos de violência familiar é um reflexo de uma cultura que ainda carrega traços de machismo estrutural, onde a conduta feminina é constantemente colocada sob julgamento público.

Em meio à dor de uma tragédia irreparável, o debate nas redes sociais expõe não apenas indignação, mas também um cenário preocupante de ataques direcionados a quem não teve participação direta no crime.

A comoção é legítima. A revolta também. Mas transformar a vítima indireta em alvo pode revelar mais sobre o estado emocional e social de quem julga do que sobre os fatos em si.

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