Novas descobertas apontadas pela Polícia Federal no inquérito do Banco Master elevaram a pressão interna no Supremo Tribunal Federal e reforçaram a avaliação de que o ministro Dias Toffoli não tem mais condições de permanecer na relatoria do caso. A informação foi publicada pelo InfoMoney, com base em relatos sobre um relatório da PF entregue ao presidente da Corte, Edson Fachin, e em reportagens de Malu Gaspar (O Globo), UOL e Mônica Bergamo (Folha de S.Paulo).
Segundo o InfoMoney, o relatório reúne indícios de pagamentos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e cita telefonemas entre o empresário e Toffoli, convite para a festa de aniversário do ministro e conversas sobre valores associados ao resort Tayayá, empreendimento ligado à família do magistrado. O documento, com cerca de 200 páginas, foi entregue pessoalmente pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a Fachin, gesto interpretado como sinal de excepcionalidade e de gravidade das informações reunidas.
De acordo com outra publicação do InfoMoney, a PF também pediu a Fachin que declare a suspeição de Toffoli no caso, após a apreensão de mensagens no celular de Vorcaro em que o nome do ministro é mencionado. Fachin determinou que Toffoli se manifeste, e a decisão sobre eventual afastamento deve ficar a cargo da Presidência do STF diante do conflito criado pela própria investigação.
Na reação, Toffoli atacou a Polícia Federal ao classificar as informações como “ilações” e ao argumentar, em nota atribuída ao seu gabinete e repercutida por veículos citados pelo InfoMoney, que a corporação não teria legitimidade para pedir sua suspeição por não ser parte do processo. Para críticos, a ofensiva contra a PF agrava o cenário, porque coloca o relator em confronto direto com a instituição que apura o caso, ampliando o desgaste e tornando a permanência ainda mais sensível sob o ponto de vista institucional.