A Polícia Federal identificou que a página Choquei teria sido utilizada como instrumento de “lavagem de reputação” de investigados na Operação Narco Fluxo, que apura um esquema bilionário supostamente ligado ao cantor MC Ryan SP.
De acordo com documentos da investigação, o perfil não seria apenas uma plataforma de mídia digital. A análise aponta que a página teria atuado como peça estratégica para reforçar a imagem pública de integrantes do grupo, além de divulgar negócios associados ao esquema investigado.
As apurações indicam que Raphael Sousa Oliveira, apontado como responsável pela página, aparece vinculado ao núcleo financeiro investigado. A Polícia Federal menciona o recebimento de valores e possível atuação em práticas descritas como “blindagem moral corporativa”, além de influência em plataformas de apostas online.
Segundo os investigadores, a página teria sido utilizada para divulgar links de afiliação, rifas virtuais e conteúdos que conferiam visibilidade e legitimidade a operações consideradas suspeitas. Também há suspeita de gestão de imagem com o objetivo de reduzir impactos de crises envolvendo MC Ryan SP.
Relatórios da investigação apontam ainda transferências diretas ao responsável pela página, que somam R$ 270 mil no período entre outubro de 2024 e outubro de 2025. Para a Polícia Federal, os repasses entre pessoas físicas, sem intermediação empresarial formal, podem indicar ausência de rastreabilidade fiscal, distribuição de lucros não declarados ou ocultação patrimonial.
A corporação também sustenta que valores elevados teriam sido concentrados em conta pessoal, o que, segundo a análise, pode caracterizar confusão patrimonial.
A Operação Narco Fluxo foi deflagrada na quarta-feira (15), com a participação de mais de 200 agentes da Polícia Federal. Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 mandados de prisão temporária.
De acordo com os investigadores, o grupo pode ter movimentado mais de R$ 260 bilhões. Durante a ação, foram apreendidos dinheiro em espécie, veículos de luxo, armas, documentos e equipamentos eletrônicos.
Entre os alvos citados estão MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira, o influenciador Chris Dias e Débora Paixão.