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Ciro Marques


PL acusa PT de origem do escândalo Master e cobra apuração de reunião secreta de Lula com Vorcaro

LULA E JAQUES WAGNER | Foto: Alessandro Dantas/PT-SF

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, divulgou nota nesta quinta-feira (18) em reação à 9ª fase da Operação Compliance Zero, que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. No documento, o PL afirma que as investigações confirmam o que o partido "sempre denunciou da tribuna do Senado": que as origens do caso Banco Master estão enraizadas na estrutura política do PT na Bahia, com ramificações que chegam, segundo a legenda, ao núcleo do governo Lula.

O ponto mais explosivo da nota é a acusação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em reunião fora da agenda oficial no Palácio do Planalto, articulada pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. A informação não é nova, mas ganhou novo peso político nesta quinta-feira. Segundo reportagens do Metrópoles e da Folha de S.Paulo, o encontro ocorreu em 4 de dezembro de 2024 e contou com a participação do então ministro da Casa Civil, Rui Costa, do ministro Alexandre Silveira e de Gabriel Galípolo, à época já indicado para a presidência do Banco Central. A assessoria de Lula nunca explicou publicamente o motivo de a reunião ter sido omitida da agenda oficial.

Marinho cobra a abertura de investigação formal sobre o encontro e levanta a suspeita da prática do crime de advocacia administrativa, diante de informações publicadas pela imprensa de que Lula teria aconselhado Vorcaro a manter o Banco Master em vez de vendê-lo ao BTG Pactual. O senador também aponta que Augusto Lima, investigado na operação desta quinta-feira, teria construído sua trajetória empresarial a partir da privatização da EBAL, empresa baiana de cartão de benefícios conhecida como Credcesta, durante o governo Rui Costa, com Jaques Wagner atuando como secretário de Desenvolvimento Econômico na época.

Em linguagem abertamente política, a nota do PL afirma que "a corrupção está no DNA do PT" e elenca uma série de escândalos associados ao partido, como o Mensalão, o Petrolão, irregularidades no INSS, nos fundos de pensão e nos Correios. O texto encerra com uma referência direta à condenação de Lula na Lava Jato e à sua volta à Presidência da República, em alusão ao que a oposição chama de "questão de CEP", referência à anulação das condenações pelo STF por incompetência de foro. A declaração é uma das mais incendiárias da nota e deve alimentar o confronto político entre governo e oposição nos próximos dias.

O senador ainda elogia o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, e expressa confiança em que ele conduzirá o processo de forma "serena, técnica e imparcial", evitando o que a oposição considera terem sido os erros processuais da Operação Lava Jato. A menção à Lava Jato é calculada: ao mesmo tempo em que pressiona por rigor, Marinho tenta blindar a operação atual de questionamentos sobre nulidades, um terreno que o governo já sinalizou explorar na defesa de Wagner.

A 9ª fase da Operação Compliance Zero cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A PF apreendeu US$ 49 mil em hotel em Brasília onde Wagner se hospeda, além de 33,5 mil euros e outros valores em sua residência em Salvador. O ministro André Mendonça impôs ainda medidas cautelares ao senador, incluindo proibição de contato com os demais investigados e suspensão do passaporte, conforme o Poder360 e a Agência Brasil. Wagner é o primeiro integrante do alto escalão do governo Lula a ser formalmente investigado no âmbito da Compliance Zero, segundo o Valor Econômico.

O senador Jaques Wagner não havia se manifestado publicamente até o momento da publicação desta matéria. Sua defesa e a defesa de Augusto Lima negam irregularidades e afirmam que os fatos apurados são "rigorosamente lícitos".

 

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