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Danilo Sá


Rejeição de Messias leva Lula 3 ao seu pior momento;

Jorge Messias foi o primeiro indicado ao Supremo a ser rejeitado pelo Senado nos últimos 132 anos. Andressa Anholete/Agência Senado

A rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal é muito mais do que um revés pontual para o governo. É, na prática, um sinal institucional claro de enfraquecimento político — e, em Brasília, sinais assim não são ignorados.

A escolha de um ministro do STF é um dos movimentos mais estratégicos de qualquer presidente. Não apenas pelo peso jurídico, mas pelo simbolismo: trata-se de medir força, testar lealdades e consolidar base. Quando o Senado decide barrar uma indicação - algo que não acontecia há 132 anos -, o recado é direto — o governo perdeu capacidade de articulação. 

Na prática, o Lula 3 parece já ter acabado. O presidente construiu sua trajetória com base na habilidade de negociação, no controle de maioria e na leitura fina do Congresso. Uma derrota desse porte desmonta exatamente esse ativo político. E, sem ele, o governo tende a operar em modo defensivo.

A rejeição do "Bessias" abre espaço para um efeito cascata. Parlamentares, especialmente do chamado centrão, tendem a se afastar de governos que demonstram fragilidade e que aparentem fim de festa. 

Ao mesmo tempo, o desgaste se amplifica fora de Brasília. Este é um governo que já enfrenta dificuldades econômicas, críticas recorrentes, escândalos de corrupção (INSS e Banco Master) e perda gradual de popularidade, isso tudo com uma eleição batendo a porta.

As pesquisas eleitorais, que já indicam um cenário mais competitivo e menos confortável para Lula, entram como combustível adicional. Quando o presidente deixa de ser visto como favorito natural e passa a correr atrás, o humor do sistema político muda. Aliados ficam mais cautelosos. Adversários, mais ousados.

A simples ideia de que o governo pode não se sustentar com a mesma força reorganiza o tabuleiro. E, em política, percepção muitas vezes pesa tanto quanto realidade.

A derrota de Messias, portanto, não significa apenas um nome rejeitado para o STF. É o erro de Lula em um teste sensível para qualquer governo: sua capacidade de se impor. E, se esse teste falha, o tempo político começa a correr mais rápido do que o calendário oficial.

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