Um auditor fiscal da Receita Federal foi afastado da função de chefia, após ser identificado como alvo de operação da Polícia Federal que investiga o vazamento de dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal, do procurador-geral da República e de seus familiares. A informação é do O Antagonista.
A destituição de Ricardo Mansano de Moraes da chefia substituta de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório, em Presidente Prudente (SP), foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira, 19.
A investigação, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes a partir de representação da Procuradoria-Geral da República, aponta que houve “diversos e múltiplos acessos ilícitos” ao sistema da Receita Federal, com posterior vazamento das informações. Mansano é suspeito de ter acessado os dados de uma ex-enteada do ministro Gilmar Mendes, filha da advogada Guiomar Feitosa.
Na terça-feira, 17, a PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia. Na residência de Mansano, localizada em condomínio em São José do Rio Preto (SP), foram recolhidos documentos, um notebook e um celular. Alexandre de Moraes também determinou o afastamento por tempo indeterminado de todos os alvos do exercício de qualquer função pública.
Além de Mansano, a operação teve como alvos Luiz Antônio Martins Nunes, servidor do Serpro cedido ao Fisco, Luciano Pery Santos Nascimento e Ruth Machado dos Santos.
Quem é Ricardo Mansano?
Ricardo Mansano ingressou no serviço público em 1995 por concurso. No ano anterior à operação, passou a integrar a equipe responsável pela gestão de créditos tributários que contribuintes podem ter a receber da União. Na chefia, atuava como substituto eventual – posição que lhe permitia assumir o comando da equipe durante afastamentos ou impedimentos do titular.
A Receita Federal informou que não comentaria o caso. O sigilo que envolve a investigação impede, até o momento, acesso público ao conjunto de provas reunidas pela PF e pelo STF, o que alimenta o impasse entre a versão oficial da Corte – o que fala em acessos ilícitos múltiplos e vazamento confirmado – e a dos sindicatos, que pedem a conclusão técnica do processo antes de qualquer medida mais severa contra os servidores.