A crise entre UEFA e Fifa continua mesmo após Gianni Infantino recuar da proposta de criar uma estrutura para receber investimentos privados ligados à exploração comercial da Copa do Mundo. A entidade europeia confirmou que mantém a decisão de não participar de competições e eventos organizados pela Fifa, adotada pelas 55 federações nacionais filiadas em uma reunião de emergência no fim de julho.
O conflito começou após a apresentação da Fifa Forward Enterprise (FFE), projeto que previa a entrada de investidores externos e a captação de bilhões de dólares. A forte reação europeia contribuiu para a retirada da proposta, mas a UEFA afirma que o recuo não foi suficiente. Segundo a entidade, além da retirada do plano, seriam necessárias garantias de que uma iniciativa semelhante não voltaria a ser apresentada.
A Fifa tentou diminuir a tensão durante uma reunião de emergência realizada na quarta-feira (5), no Marrocos. A organização admitiu falhas na maneira como o projeto foi comunicado às 211 associações-membro e pediu desculpas pela falta de participação das federações no processo. Ao mesmo tempo, a entidade reafirmou confiança em Infantino e destacou a atuação do dirigente na condução do futebol mundial.
A resposta não convenceu a UEFA, que mantém a avaliação de que perdeu a confiança na presidência da Fifa. Para a entidade europeia, o respaldo dado a Infantino durante a reunião no Marrocos não altera a decisão tomada pelas federações filiadas. O impasse, portanto, permanece às vésperas da eleição para a presidência da Fifa, na qual Infantino busca um novo mandato.
Apesar da oposição europeia, o dirigente ainda conta com apoio em outras regiões. A Confederação Africana de Futebol (CAF) reafirmou por unanimidade o respaldo das 54 associações filiadas, enquanto a Federação Mexicana de Futebol também declarou apoio à continuidade de Infantino. O cenário deixa evidente a divisão política dentro do futebol mundial em torno da gestão do atual presidente da Fifa.