A homenagem feita ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela escola de samba Acadêmicos de Niterói continua gerando repercussões negativas no cenário político, segundo avaliação de aliados do próprio governo. A informação foi apurada pelo analista Matheus Teixeira, ao Live CNN.
"A percepção de alguns aliados é que o próprio governo não teve a devida dimensão do que isso iria representar nas eleições desse ano e no embate público da política", apontou Teixeira.
Inicialmente considerada uma boa ideia, a homenagem chegou a contar com convites para ministros participarem do evento, mas houve um recuo após alertas da Advocacia Geral da União (AGU) sobre possível configuração de campanha eleitoral antecipada.
A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, que chegaria a participar de um carro alegórico, também recuou. O próprio presidente Lula limitou-se a assistir ao desfile de um camarote, sem participação direta.
"Apesar de não ter participado, isso joga luz sim sobre a questão da pré-campanha", avisou o analista: "A jurisprudência do TSE e a própria lei eleitoral é muito subjetiva sobre o que pode e o que não pode fazer nesse período pré-eleitoral, e abre muita margem sim para ficar configurada uma campanha antecipada".
Tensão com o TSE e evangélicos
O caso coloca pressão sobre o Tribunal Superior Eleitoral, que agora é observado para verificar se manterá a mesma firmeza que demonstrou em 2022 contra o então presidente. "A lei eleitora diz que pode sim exaltar os méritos de um pré-candidato, mas, não pode haver um pedido explícito de voto - mas tensionou a relação com o TSE", afirmou Matheus Teixeira.
Outro ponto crítico foi a representação dos evangélicos em uma das alas da escola, simbolizados como uma lata de conserva. Segundo Teixeira, isso pegou muito mal junto a um eleitorado que o PT historicamente tem dificuldade de se aproximar e que tende a apoiar mais o bolsonarismo.
Embora alguns aliados defendam que o desfile foi positivo por exaltar a trajetória de mais de quatro décadas do presidente, a avaliação majoritária no governo é que o balanço foi negativo. O entendimento é que a homenagem trouxe mais notícias ruins do que boas.
"Dialogou mais com o próprio eleitorado petista que já exalta o presidente Lula, e não precisava de mais essa demonstração dessa trajetória dele", finalizou o analista.