A possibilidade existe, mas não no sentido de uma “guerra nuclear iminente” a partir do conflito atual. A reportagem de O Globo indica que o risco nuclear cresce porque a escalada militar e a disputa sobre o programa iraniano podem alimentar uma cadeia de decisões — retaliações, novas ofensivas e corridas armamentistas — que torna o cenário mais instável e perigoso, mesmo sem haver, hoje, evidência pública de que o Irã tenha uma bomba.
O ponto central é que atacar instalações não significa, necessariamente, encerrar a capacidade nuclear de um país. Especialistas ouvidos pelo jornal afirmam que plantas podem ser destruídas, mas o conhecimento técnico permanece, e estoques de urânio podem ser ocultados ou deslocados, mantendo viva a possibilidade de retomada do programa ao longo do tempo.
Do lado político, o impasse também aumenta a tensão. O Globo relata que as negociações entre Irã e Estados Unidos não chegaram a um acordo, em parte porque Washington exige o fim completo do programa, algo que Teerã rejeita por ver a área nuclear como símbolo de autonomia e projeção de poder, num ambiente de desconfiança com EUA e Israel.
A resposta, portanto, é que o mundo vive uma possibilidade ampliada — e mais “sombria” — de crise com componente nuclear, sobretudo por dois fatores combinados: a instabilidade regional e o enfraquecimento do sistema global de controle de armas.
Na leitura dos especialistas citados, a ausência de tratados ativos de redução entre grandes potências e a modernização dos arsenais elevam o risco de escalada e erro de cálculo, ainda que um confronto nuclear total siga sendo o pior cenário, e não o mais provável no curto prazo.
Especialistas comentam sobre perigo de guerra nuclear: Quanto tempo duraria uma guerra nuclear?
"É muito difícil de responder, mas uma guerra total nuclear envolvendo esses países, especialmente Estados Unidos, Rússia e China, poderia levar à destruição do mundo", diz Marco Antônio Saraiva Marzo, físico nuclear e engenheiro nuclear.
Tem gente que faz essa previsão de que duraria poucas horas.
"Esse é um exercício mental que diz assim, que diante de um ataque nuclear haveria uma retaliação imediata do atacado com armas nucleares, levando a um contra-ataque e a uma escalada. Haveria ou aniquilação mútua ou você emitiria tanta radiação no planeta que acabaria a vida na Terra", diz Spektor.
"O lance com a guerra nuclear é que a gente nunca viveu uma, e é melhor assegurar que a gente nunca viverá uma", completa.