O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) enfrenta um cenário de pressão dupla: além de quase 2,8 milhões de pedidos represados na chamada fila de requerimentos, o órgão também é alvo de mais de 4,4 milhões de processos na Justiça relacionados à concessão de benefícios. Os dados são do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Portal da Transparência Previdenciária.
Segundo o CNJ, até 28 de fevereiro deste ano, eram 4.416.317 ações judiciais contra o instituto. Apenas em 2026, mais de 598 mil novos processos foram registrados, o que representa uma nova demanda a cada 8,5 segundos. A maior parte das ações envolve pedidos de benefício por incapacidade, que correspondem a 36,2% do total, seguidos por temas assistenciais e aposentadorias.
Além disso, entre 2021 e 2025, o volume de processos cresceu 29,1%, com mais de 975 mil novas ações no período. O tempo para o primeiro julgamento pode variar de 206 dias até mais de três anos, dependendo do caso. A maioria dessas ações tramita na Justiça Federal.
Diretamente no sistema do INSS, a fila de requerimentos chegou a 2.793.618 registros em março, sendo quase metade relacionada a benefícios por incapacidade. O governo lançou o programa Acelera INSS, com duração de 90 dias, para tentar reduzir esse estoque e diminuir para menos de 400 mil os pedidos com mais de 45 dias de espera, além de prever mutirões, reforço de servidores e novo concurso público.