Por mais que o presidente Lula tente se distanciar do desfile eleitoreiro da Acadêmicos de Niterói, realizado na noite de 15 de fevereiro, domingo de Carnaval, há elementos que vinculam diretamente o petista à presepada vista ao vivo pela TV Globo. A informação é do O Antagonista.
O principal deles tem nome e sobrenome: Janja Lula da Silva.
A primeira-dama não somente foi entusiasta do desfile como, segundo informou o jornal O Globo, tentou obter financiamento para a propaganda eleitoral travestida de homenagem.
Outro ponto: Janja também acompanhou a preparação para o desfile e, de quebra, ainda viajou para o barracão da Acadêmicos de Niterói em um voo da Força Aérea Brasileira (FAB).
Como mostramos na semana passada, a Acadêmicos de Niterói foi autorizada a captar até 5,1 milhão por meio da Lei Rouanet para bancar o desfile.
Coincidentemente, no mesmo período, segundo o colunista Lauro Jardim de O Globo, a primeira-dama teria atuado para convencer empresários a financiar o desfile.
Mas o ponto mais flagrante dessa relação próxima entre Janja e a escola foi a confirmação de que, em 6 de outubro do ano passado, a primeira-dama pegou um jato da FAB, ao lado das ministras de Igualdade Racial (Anielle Franco) e de Ciência e Tecnologia (Luciana Santos) para fazer uma série de visitas no Rio de Janeiro, entre elas o galpão da Acadêmicos de Niterói.
Na semana passada, o PL, partido de Bolsonaro, apresentou uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, entre os documentos, solicitou autorização para obter informações sobre gastos diretos ou indiretos do governo federal com o desfile.
Na prática, a ex-ministra Maria Claudia Bucchianeri não somente quer antecipar a fase prévia de coleta de provas como também busca estabelecer um vínculo direto com gastos da União e a organização do desfile. Assim, em teoria, poderia se estabelecer o nexo causal entre o governo Lula e as principais decisões da escola.
Neste final de semana, o presidente Lula tentou claramente se desvincular das principais decisões da Escola de Samba. No entanto, ele admitiu, pela primeira vez publicamente, que caberia a ele aceitar ou negar a homenagem. Lula é sábio. É ano eleitoral. E ele tinha plena consciência do impacto possivelmente positivo para a sua imagem.
Agora, cabe ao TSE ligar os pontos. E não precisa ser gênio para imaginar que tudo neste caso se conecta perfeitamente.