O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (7) que a possível classificação de facções criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas, tema em análise pelo governo dos Estados Unidos, não foi abordada na conversa com o presidente Donald Trump. Com informações do Metrópoles.
Os dois se reuniram na Casa Branca, em Washington, em um encontro que durou cerca de três horas.
“Não foi discutido isso”, declarou o chefe do Executivo em entrevista coletiva na Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, após a reunião, seguida de um almoço. A ideia é rechaçada pelo governo Lula, que vê risco de interferências externas.
O petista e o republicano discutiram nesta quinta-feira (7) uma proposta de colaboração para combate ao crime organizado internacional. A sugestão foi apresentada pelo governo brasileiro ao Departamento de Estado em dezembro e inclui medidas de repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico internacional de armas.
A cooperação contra organizações criminosas foi uma pauta prioritária para o governo brasileiro durante a visita. A expectativa é que Brasil e Estados Unidos avancem em um acordo de cooperação contra o crime organizado transnacional a partir do encontro.
“Estamos levando muito a sério essa questão do combate ao crime organizado. Esse negócio de dizer que as facções tomaram o território das cidades. Temos que dizer que o território é do povo, não é do crime organizado”, relatou o presidente brasileiro.
O chefe do Executivo brasileiro disse que saiu “muito satisfeito” da reunião. “Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA”, pontuou.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, afirmou, depois do encontro, que o titular do Planalto propôs grupos de trabalho com o governo dos EUA para tratar tanto as questões do Brasil como em nível de cooperação, com outras iniciativas.
Lula também adiantou que, na semana que vem, o governo brasileiro vai lançar um plano de combate ao crime organizado.
“O que estamos propondo é o seguinte: é muito sério. A partir da semana que vem vamos lançar um plano de combate ao crime organizado que é para valer. Quem escapou até semana que vem, tudo bem. Quem não escapou não vai escapar mais”, declarou.
Os líderes se reuniram em Washington para um encontro de trabalho, sete meses após a primeira reunião na Malásia. A cooperação contra organizações criminosas foi uma pauta prioritária para o governo brasileiro durante a visita. A expectativa é que Brasil e Estados Unidos avancem em um acordo de cooperação contra o crime organizado transnacional a partir do encontro.
Recentemente, o governo firmou parceria entre a Receita Federal e o U.S. Customs and Border Protection (CBP), agência de fronteiras dos Estados Unidos, para coordenar os esforços de inteligência e ações conjuntas contra o tráfico internacional de drogas e de armas. A expectativa é que a visita amplie as possibilidades de colaboração entre os países.