O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou uma cerimônia oficial da FIFA, realizada nesta quinta-feira, 26, no Palácio do Planalto, para fazer um balanço da Copa do Mundo de 2014 e antecipar expectativas para o torneio feminino de 2027, que terá o Brasil como sede. A informação é do O Antagonista.
No discurso, Lula classificou 2014 como um período “delicado, irritante e nervoso” para o país e disse que o Brasil terá, em 2027, a oportunidade de se redimir do que chamou de “vexame” – termo que aplicou não ao desempenho dos jogadores, mas ao ambiente político e social do momento.
A versão de Lula sobre 2014
O presidente atribuiu parte do vexame ao que descreveu como uma campanha de acusações infundadas contra as obras dos estádios. Segundo ele, o Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu, após auditorias, que não havia irregularidades nas construções – mas a percepção pública já havia sido contaminada por denúncias que ele classificou como inverdades.
“Já começava naquele momento a quantidade de mentiras inesquecíveis sobre corrupção na Copa do Mundo”, afirmou.
Em seguida, completou: “Depois de todas as denúncias, o TCU chega a conclusão que não houve corrupção em nenhum estádio que estava sendo construído. Mas passou a ideia para a sociedade de que aquilo tinha sido um antro de corrupção”.
Para Lula, esse contexto gerou um estado de tensão que comprometeu até o desempenho em campo. “Não havia clima sequer para jogar futebol. É a única explicação que eu tenho para aquele banho que tomamos da Alemanha”, disse, referindo-se à derrota por 7 a 1 na semifinal do torneio, em julho de 2014.
O presidente também recordou as vaias à então presidente Dilma Rousseff durante a cerimônia de abertura do mundial. “Não esqueço a grosseria da torcida xingando a Dilma. Era uma coisa que jamais imaginei ver numa festa que o Brasil estava organizando”, declarou.
Foco em 2027 e violência contra a mulher
Ao projetar o torneio feminino de 2027, Lula defendeu que o evento seja conduzido como uma celebração. O tom foi de contraste com 2014: enquanto aquele mundial foi marcado, na visão do presidente, por conflitos políticos, o próximo deveria representar uma virada de página.
A cerimônia também serviu para o presidente reiterar a defesa de um compromisso coletivo contra a violência doméstica.
“Mulher não foi feita para apanhar e homem não tem direito de levantar a mão, seja qual for a circunstância. Não há nada que permita o homem levantar a mão para agredir mulheres”, afirmou.