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Cidades

Prefeitura vai construir reservatórios subterrâneos para reduzir alagamentos e espelhos d’água em Praia de Ponta Negra

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Foto: José Aldenir

A obra tem investimento estimado em R$ 21,6 milhões. O processo já avançou para a fase de licitação. Conforme aviso publicado nesta quarta-feira 13 no Diário Oficial do Município, a concorrência eletrônica nº 22.007/2026 está marcada para o próximo dia 27 de maio. Com a licitação, será contratada uma empresa para executar as obras de drenagem e implantar os três reservatórios modulares, além de dispositivos complementares. Com informações do Agora RN.

Em entrevista a o Correio de Hoje, a secretária da Seinfra, Shirley Cavalcanti, explicou que os reservatórios funcionarão como grandes caixas subterrâneas destinadas a armazenar e infiltrar a água da chuva.

Segundo a secretária, as estruturas serão instaladas em locais que concentram grande contribuição de água pluvial. Um dos reservatórios ficará na Rua João Rodrigues de Oliveira, próximo ao restaurante Old Five; outro na Avenida Praia de Pirangi, próximo ao restaurante Ô Bar; e um terceiro na Rua Francisco Gurgel, em frente ao Visual Praia Hotel.

Esses reservatórios terão até 250 metros de comprimento e 3,00 metros de profundidade e receberão a água proveniente não apenas da Vila de Ponta Negra, mas também de áreas mais amplas do bairro e da Avenida Engenheiro Roberto Freire.

Como os reservatórios vão funcionar

Hoje, a água da chuva escoa pelas galerias de drenagem e chega diretamente à faixa de areia, onde é desacelerada por 17 dissipadores construídos ao longo da orla junto com a engorda. Esses equipamentos reduzem a velocidade da enxurrada, mas não impedem que grandes volumes de água alcancem a praia.

Shirley Cavalcanti explica que a nova solução vai além desse sistema. “Atualmente, o dissipador só retém a velocidade da água. Agora, os reservatórios vão acumular a água”, disse.

A lógica é simples: a água ficará armazenada temporariamente em estruturas subterrâneas, permitindo infiltração gradual no solo. Apenas quando o volume ultrapassar a capacidade de retenção é que parte da água seguirá para a praia. “Essa água só vai passar para a faixa de areia em torno de chuvas intensas acima de 60 milímetros”, afirmou a secretária. “Em chuvas de até 60 milímetros, pode ser que ninguém visualize nada na praia.”

Em precipitações mais intensas, como de 80, 90 ou 100 milímetros, a expectativa é que os espelhos d’água continuem ocorrendo, mas em proporções menores e com água mais limpa.

A limpeza da água é outro objetivo do sistema. Ao permanecer mais tempo no reservatório, parte dos sedimentos fica retida, reduzindo o transporte de resíduos até a praia e o mar.

Os reservatórios não ficarão aparentes. Serão instalados sob as vias, em modelo semelhante ao adotado em outras capitais, como Recife (PE). “Eles vão ser cobertos, vão ser implantados embaixo da rua”, explicou Shirley.

Segundo ela, o funcionamento é comparável ao de grandes tanques subterrâneos de infiltração. “Ele vai reter a água, esperando a água infiltrar. Se o volume for menor, essa água não chega nem a passar, ela vai ficar só no tanque infiltrando.”

Após a contratação da empresa, o cronograma previsto para execução é de seis meses.

Onde ficarão os reservatórios

- Rua Francisco Gurgel — em frente ao Visual Praia Hotel

Dimensões: 254,6 m de comprimento x 3,00 m de largura x 3,00 m de profundidade

Volume: 2.291,4 m³

- Rua João Rodrigues de Oliveira — próximo ao restaurante Old Five

Dimensões: 149,6 m de comprimento x 3,00 m de largura x 2,20 m de profundidade

Volume: 987,36 m³

- Avenida Praia de Pirangi — próximo ao restaurante Ô Bar

Dimensões: 199,6 m comprimento x 3,00 m de largura x 2,80 m de profundidade

Volume: 1.676,64 m³

Voçoroca no Morro do Careca e soluções de longo prazo

Além dos reservatórios, a Prefeitura prepara uma intervenção específica na área próxima ao Morro do Careca, onde vem se formando uma voçoroca — ou, na linguagem técnica utilizada pela secretária, um “maceió”.

A erosão se tornou um ponto de escape para a água acumulada na região. Segundo Shirley, a Prefeitura decidiu não fechá-la de imediato justamente porque ela funciona como uma válvula de segurança. “Ele é como se fosse o fusível daquela água que está represada ali”, explicou.

A proposta é transformar esse canal em uma vala de infiltração permanente, revestida com material filtrante e recoberta por areia, de modo que o escoamento ocorra de forma controlada e sem deixar uma vala exposta. “A passagem da água vai ficar definitiva e coberta de areia. Ela não vai ficar uma vala exposta”, afirmou.

Como a intervenção está situada na faixa de areia, será necessário obter licença ambiental junto ao Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema).

A secretária informou que essa obra terá custo relativamente baixo e será executada com recursos próprios do município, utilizando contratos já existentes.

Outra alternativa estudada é a implantação de um emissário submarino ou de estruturas semelhantes a espigões, capazes de conduzir a drenagem e, ao mesmo tempo, contribuir para a retenção de areia. No entanto, a proposta foi descartada como solução imediata. “De imediato foi descartado. Porque a gente precisa das soluções mais rápidas”, explicou Shirley. “Emissários submarinos são processos que duram bastante tempo.”

Apesar disso, a Prefeitura já iniciou estudos para avaliar as correntes marítimas e verificar se esse tipo de estrutura pode representar uma solução definitiva no futuro.

Problema ficou mais visível após a engorda

A engorda de Ponta Negra foi concluída no fim de 2024 e ampliou a faixa de areia da praia. Com isso, áreas que antes eram rapidamente alcançadas pelo mar passaram a permanecer expostas, tornando mais visível o encontro da drenagem urbana com a praia.

Com a obra da engorda, houve o depósito de 1,3 milhão de metros cúbicos de areia ao longo de 4,6 km de orla.

Segundo a Prefeitura, a formação de espelhos d’água é um fenômeno considerado inevitável devido à diferença de nível entre o bairro e a praia. Antes da engorda, a faixa de areia praticamente desaparecia na maré alta, o que dificultava a percepção do problema.

Junto com a obra, foram implantados 17 dissipadores de energia ao longo da orla. De acordo com Shirley Cavalcanti, todos já estão concluídos e em funcionamento.

“Tudo concluído. Já tem bastante tempo. Nós temos 17 dissipadores concluídos e funcionando”, afirmou.

Esses equipamentos continuam exercendo papel importante ao reduzir a velocidade da água que chega à praia, mas a gestão municipal reconhece que, sozinhos, não são suficientes para eliminar os espelhos d’água em períodos de chuvas intensas.

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