Mulheres negras têm probabilidade 46% maior de fazer um aborto, em todas as idades, em relação a mulheres brancas, segundo um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com outros órgãos.
O número significa que, para cada 10 mulheres brancas que fizerem aborto, haverá, aproximadamente, 15 mulheres negras.
“Existem desigualdades raciais em todas as edições da PNA [Pesquisa Nacional de Aborto]. São sempre as mulheres negras que mais realizam abortos. São sempre as mulheres negras as mais vulneráveis ao aborto e, consequentemente, ao aborto inseguro”, reflete a pesquisadora Emanuelle Góes, uma das autoras do estudo.
A pesquisa foi feita com uma amostra de mulheres de 18 a 39 anos de idade, gerada a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
A análise também foi baseada na Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), realizada nos anos de 2016, 2019 e 2021, e divulgada na terça-feira (26).
Os levantamentos dos anos de 2016 e 2021 cobrem todo o Brasil urbano; já o de 2019 tem dados apenas da área urbana da região Nordeste.
Não foi possível dizer muito sobre as mulheres indígenas e amarelas (asiáticas), pois, segundo a Fiocruz, o número dessas mulheres nas amostras não é grande. A maior parte dos resultados das comparações que as inclui é vulnerável a flutuações puramente estatísticas.
A pesquisa foi publicada na revista Ciência e Saúde Coletiva da Abrasco, com coautoria de Góes, da Fiocruz Bahia, e de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade de Columbia, dos Estados Unidos.