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Ciro Marques


Política

Família com prejuízo milionário e ameaças: Como caso do Banco Master atingiu o RN

Foto: Banco Master

Ameaças a portais; ataques a sites que publicavam notícias negativas; golpes milionários que atingiu famílias e até empresários. O esquema do Banco Master e de Daniel Vorcaro atingiu o Rio Grande do Norte de diferentes formas e só com o andamento das investigações está sendo possível ter a noção exata do tamanho do impacto. 

Um dos principais, sem dúvida, foi financeiro. O Blog de Gustavo Negreiros postou nesta quarta-feira (4), mesmo dia que Daniel Vorcaro voltou para a prisão, o caso de uma tradicional família de Natal tinha um precatório para receber no valor de R$ 400 milhões, mas teria que esperar anos para ter o dinheiro na conta.

Foi então que apareceram intermediários de Daniel Vorcaro, do Banco Master, oferecendo um “milagre”. Pagariam R$ 100 milhões pelo precatório, mas com uma condição: o dinheiro teria que ficar aplicado no Banco Master, com direito apenas ao saque dos juros das aplicações.

Os rendimentos chegavam a cerca de R$ 1,3 milhão por mês, o que fez a família se reerguer financeiramente. O problema é que os R$ 100 milhões que estavam no banco simplesmente evaporaram com a liquidação. Hoje, teriam se transformado em apenas R$ 250 mil. Resultado: a família ficou sem os precatórios e sem o dinheiro.

AMEAÇAS E ATAQUES

Além disso, há de se ressaltar também as "notificações extrajudiciais" que os portais que estavam cobrindo o assunto receberam durante o último ano. Pedidos formais enviados pelo Banco Master exigiam a retirada de conteudos que eram, basicamente, reproduções de reportagens nacionais, que abordavam o banco de forma negativa. 

Uma das matérias dizia respeito ao jantar promovido por Daniel Vorcaro para ministros do Supremo Tribunal Federal em Nova York. Portais, como o da 96 FM, foram alvos dessas notificações enviadas pelo jurídico do Banco, antes mesmo da liquidação do Master. 

Após a operação que mirou Daniel Vorcaro e o levou, pela primeira vez, para a cadeia, coincidentemente ou não, ataques ao portal passaram a ser frequentes, por meio de plataformas internacionais. 

Qual a surpresa revelada nesta quarta-feira, após a segunda prisão de Vorcaro? Assessores do banqueiro agiam para derrubar sites e portais que publicavam notícias negativas sobre o banqueiro e o próprio banco. 

“Estamos em cima de todos os links negativos”

De acordo com as investigações, mensagens analisadas pela PF revelam que o empresário determinava a integrantes de seu núcleo o monitoramento constante de reportagens publicadas na imprensa.

Em uma das conversas, um interlocutor afirma: “Estamos em cima de todos os links negativos. Vamos derrubar todos e vamos soltar positivas”. Para os investigadores, o trecho indica a existência de uma atuação organizada para identificar conteúdos desfavoráveis e agir para removê-los ou reduzir seu alcance.

Segundo a PF, colaboradores eram acionados para acompanhar publicações, mapear críticas e adotar medidas com o objetivo de neutralizar danos à imagem do empresário.

AMEAÇAS A JORNALISTAS

Segundo a PF, Vorcaro utilizava colaboradores para levantar dados pessoais, acompanhar adversários e intimidar pessoas que contrariavam seus interesses. As informações constam em material extraído em operações anteriores.

Em uma das mensagens, Vorcaro conversa com Luiz Phillipi Machado de Moraes, apontado pela PF como responsável por levantar essas informações.

“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, escreveu Vorcaro, em referência ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Logo em seguida, o interlocutor responde: “Estamos em cima de todos os links negativos. Vamos derrubar todos e vamos soltar positivas”.

Em outro trecho da conversa, Vorcaro insiste: “Quero dar um pau nele”. O colaborador responde: “Pode? Vou olhar isso…”.

O empresário então responde que “sim”.

Para a PF, essas mensagens trocadas por WhatsApp indicam que Vorcaro determinou ao subordinado que forjasse um assalto para intimidar o jornalista.

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