A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), subiu ao plenário do Senado nesta quinta-feira (30) durante a sessão conjunta que analisa o veto presidencial ao PL da Dosimetria e fez um duplo ataque. Mirou no presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), a quem acusou de ter feito e descumprido um acordo para aprovar a indicação de Jorge Messias ao STF. E cobrou publicamente a instalação de uma CPI exclusiva do Banco Master, com o objetivo declarado de provar a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Sobre Messias, Gleisi foi direta. Segundo a ministra, havia um compromisso firmado entre o governo e a presidência do Senado para que a indicação fosse aprovada. A reunião entre Messias, Alcolumbre, os ministros do STF Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, além do senador Rodrigo Pacheco, teria selado essa garantia. No entanto, o resultado da sabatina na quarta-feira (29) mostrou o oposto: Messias foi rejeitado, no que representou a maior derrota política de Lula no terceiro mandato. Para Gleisi, Alcolumbre não apenas deixou de trabalhar pela aprovação como teria, nos bastidores, facilitado a articulação que derrubou o nome do AGU.
Na segunda frente de ataque, a ministra cobrou que o Senado instale uma CPI específica do Banco Master. Gleisi vem sustentando há semanas que o escândalo do Master tem raízes profundas no governo Bolsonaro e na gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central. Segundo ela, a Operação Compliance Zero da Polícia Federal já revelou que servidores indicados por Bolsonaro e nomeados por Campos Neto recebiam dinheiro de Daniel Vorcaro para impedir a fiscalização do banco.
"Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi o maior doador individual da campanha de Bolsonaro e do Tarcísio", já havia declarado Gleisi em ocasião anterior. Agora, no plenário do Senado, a ministra reforçou a tese e pediu que a CPI seja instalada para que a conexão entre o Master, o governo anterior e a oposição seja formalmente investigada. A cobrança é uma resposta direta à estratégia da oposição, que vem usando a crise do Master para desgastar o governo Lula, especialmente pela reunião que o presidente teve com Vorcaro em dezembro de 2024.
O discurso de Gleisi no plenário aconteceu em um momento de temperatura máxima no Congresso. A sessão conjunta que analisa a dosimetria já era, por si só, uma bomba política. Com a derrota de Messias na véspera, o governo chegou ao segundo dia consecutivo acuado. E a ministra optou por partir para o ataque, tentando virar o jogo da narrativa e transferir o desgaste para a oposição e para o próprio Alcolumbre.