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Cidades

Mais da metade das internações por queimaduras no RN ocorrem em acidentes domésticos, alerta COOPANEST-RN

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Os acidentes domésticos seguem como a principal causa de internação por queimaduras no Rio Grande do Norte e reforçam a necessidade de ampliar as ações de prevenção. Dados de um levantamento, feito no setor de queimados do hospital Walfredo Gurgel, a pedido da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas( Coopanest/RN), mostrou que entre dezembro de 2025 e abril de 2026, 135 pacientes precisaram de internação especializada, e mais da metade dos casos teve origem em ocorrências dentro de casa.

O levantamento revela ainda que as queimaduras por chama foram as mais frequentes, seguidas pelas escaldaduras, geralmente causadas por líquidos quentes e mais comuns entre crianças. No período analisado, foram registrados diversos casos pediátricos, evidenciando a vulnerabilidade desse público no ambiente doméstico.

Para os anestesiologistas, os números confirmam uma realidade recorrente nas unidades especializadas: além do sofrimento físico, as queimaduras costumam exigir tratamentos complexos, múltiplas cirurgias e longos períodos de internação. O relatório aponta permanências hospitalares longas, que variam entre um e 73 dias, com alguns pacientes internados por mais de dois meses.

Diretor da COOPANEST-RN, o médico anestesiologista Rogério Nei destaca que o atendimento ao paciente queimado vai além do procedimento cirúrgico.

"A queimadura está entre os traumas mais complexos que acompanhamos dentro do ambiente hospitalar. Muitos pacientes precisam passar por diversas cirurgias, curativos especializados e um acompanhamento contínuo para controle da dor e recuperação funcional. O anestesiologista participa de todas essas etapas, contribuindo para a segurança do paciente e para a qualidade do tratamento. Por isso, quando falamos em queimaduras, a prevenção é sempre o melhor caminho”, disse.

Segundo Rogério Nei, muitos casos poderiam ser evitados com medidas simples de segurança.

"Os dados mostram uma forte presença de acidentes domésticos, muitos deles envolvendo líquidos quentes, fogões, álcool e materiais inflamáveis. São situações que podem ser prevenidas com atenção redobrada, especialmente quando há crianças no ambiente. Cada queimadura evitada representa menos sofrimento para as famílias e menos risco de sequelas permanentes.", concluiu.

O levantamento também aponta predominância de pacientes do sexo masculino e registra ocorrências relacionadas a acidentes de trabalho e queimaduras elétricas, reforçando a importância do uso de equipamentos de proteção e do cumprimento das normas de segurança.

A COOPANEST-RN defende a ampliação de campanhas educativas sobre prevenção de queimaduras, com foco no manuseio seguro de líquidos quentes, álcool, gás de cozinha e equipamentos elétricos. A entidade também ressalta a importância de conscientizar as famílias sobre os riscos presentes no ambiente doméstico, principal cenário das ocorrências registradas no período analisado.

Além da prevenção de acidentes domésticos, o relatório aponta a necessidade de fortalecer ações voltadas à segurança ocupacional, especialmente com o reforço do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), treinamentos relacionados à segurança elétrica e medidas de prevenção de acidentes industriais. O documento também chama atenção para a importância da vigilância em saúde mental, diante da ocorrência de casos relacionados à violência interpessoal e tentativas de autoextermínio, situações que exigem abordagem multiprofissional e acompanhamento especializado.

Na área assistencial, os dados reforçam a necessidade de monitoramento permanente de indicadores como tempo médio de internação, relação entre gravidade das queimaduras e mortalidade, índices de infecção, demanda por procedimentos cirúrgicos e taxa de ocupação das unidades especializadas. O estudo também recomenda a ampliação da produção de indicadores futuros, incluindo informações sobre necessidade de enxertia, utilização de leitos de UTI, infecções relacionadas à assistência, reinternações, desfechos funcionais dos pacientes, perfil etário detalhado e identificação mais precisa dos agentes causadores das queimaduras.

“Quando analisamos os números, percebemos que o desafio não está apenas no tratamento. É fundamental investir em prevenção, educação, segurança no trabalho, saúde mental e qualificação permanente da assistência. São medidas que contribuem para reduzir acidentes, salvar vidas e melhorar a recuperação dos pacientes”, destaca o anestesiologista Rogério Nei, diretor da COOPANEST-RN.

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