O governo Luiz Inácio Lula da Silva avalia que os Estados Unidos demonstraram “disposição clara” para retomar as negociações sobre as tarifas aplicadas a produtos brasileiros. A avaliação ocorreu após uma reunião virtual entre representantes dos dois países, realizada na segunda-feira (31).
O encontro aconteceu depois de uma conversa telefônica entre Lula e Donald Trump, em 21 de agosto, quando o presidente norte-americano concordou em reabrir o diálogo comercial. A reunião desta semana durou cerca de 40 minutos e contou, pelo lado dos EUA, com o representante do Escritório do Comércio americano (USTR), Jamieson Greer. O Brasil foi representado pelos ministros Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e Mauro Vieira, das Relações Exteriores.
Segundo interlocutores que acompanharam as tratativas, Greer demonstrou interesse em reestabelecer as discussões sobre as tarifas. Os dois governos acertaram a retomada das reuniões técnicas entre seus auxiliares, com encontros ministeriais intercalados, seguindo o formato adotado antes da imposição das novas tarifas.
A avaliação brasileira é de que, neste primeiro contato, os Estados Unidos não apresentaram exigências específicas relacionadas à abertura de setores do mercado nacional. As conversas ficaram concentradas nas tarifas, sem avanço sobre temas não tarifários, como minerais críticos e empresas de tecnologia.
O governo Lula agora espera que as próximas reuniões permitam entender com maior clareza as exigências de Washington e produzam avanços na negociação. Entre as possibilidades avaliadas pelos auxiliares do presidente está a solicitação de informações adicionais sobre a investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, além de eventuais pedidos para reduzir tarifas sobre setores que ainda não entraram nas discussões.