Nos bastidores do Congresso, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master começa a perder força justamente no momento em que a oposição tenta forçar sua instalação via Supremo Tribunal Federal (STF). Com o calendário eleitoral dominando a agenda legislativa, parlamentares começam a trabalhar em prol de suas candidaturas. A informação é da Revista Oeste.
Diante da resistência de se instalar a CPI do Banco Master por parte do presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), parlamentares da oposição recorreram ao STF para obrigar a abertura da comissão. O caso caiu nas mãos do ministro Nunes Marques, que agora precisa decidir se a Corte deve ou não intervir.
Nos bastidores, acredita-se que Nunes Marques enfrenta um dos casos mais delicados. Isso porque decisões anteriores do Supremo já estabeleceram que o Judiciário pode determinar a instalação de CPIs quando há omissão do Legislativo, como ocorreu na CPI da Covid.
Ao mesmo tempo, o contexto atual adiciona um componente sensível: veio à tona a informação de que uma empresa ligada ao filho do ministro teria recebido 6,6 milhões do Master. Entre parlamentares, há a leitura de que uma eventual rejeição da CPI poderia ser interpretada politicamente como tentativa de blindagem.
Eleições esfriam a pauta da CPI do Master
No Senado, o ambiente é de baixa mobilização. A proximidade das eleições tem impactado diretamente o ritmo das votações, com sessões semipresenciais e foco concentrado em agendas estratégicas para os parlamentares.
Na prática, isso reduz a disposição política para avançar com uma CPI de alto potencial de desgaste. A perspectiva é de que, mesmo que a comissão seja instalada, ela fique esvaziada diante do calendário eleitoral.
Precedente
O histórico da CPI da Covid também pesa na análise. Na ocasião, o STF só consolidou sua decisão depois de o Senado já ter iniciado os trabalhos, ainda que sob pressão judicial.
O próprio Nunes Marques, à época, defendeu maior margem de decisão para o Legislativo. Segundo o ministro, caberia ao presidente do Senado avaliar o melhor momento para a instalação de uma comissão.
“É prudente, portanto, que o Legislativo possa avaliar o modo mais adequado para instalação e desenvolvimento dos trabalhos da CPI”, disse o magistrado na ocasião. “Nisso não vejo qualquer risco de dano. Risco haveria se reconhecêssemos que o Congresso devesse instalar e desenvolver os trabalhos da CPI imediatamente e de qualquer maneira.”