Pouco mais de um mês após incluir o PCC (Primeiro Comando da Capital) na lista de organizações terroristas estrangeiras, o governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (1º) uma nova ofensiva contra a facção criminosa.
A noticia é de AUGUSTO FERNANDES. Desta vez, o Departamento do Tesouro aplicou sanções contra dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa acusados de integrar um esquema internacional de lavagem de dinheiro que beneficiava o grupo.
Segundo o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, órgão responsável pelas sanções econômicas dos Estados Unidos, a rede movimentava recursos obtidos com o tráfico de drogas e utilizava o sistema financeiro americano para lavar o dinheiro antes de enviá-lo ao Brasil.
De acordo com o Tesouro americano, as duas pessoas que foram alvo das medidas anunciadas nesta quarta-feira atuavam como elo entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais de drogas e auxiliavam na logística da organização, intermediando a coleta de grandes quantias em dinheiro em espécie.
As autoridades afirmam que o grupo lavou mais de US$ 30 milhões obtidos com atividades criminosas em diversas cidades dos Estados Unidos. Parte dos recursos teria sido enviada ao Brasil por meio de criptomoedas, com o objetivo de financiar as atividades da facção.
As sanções também atingem quatro empresas sediadas em São Paulo e uma em Portugal. Segundo o governo americano, elas eram utilizadas para ocultar a origem dos recursos ilícitos e facilitar a lavagem de dinheiro.
Na prática, a medida determina o bloqueio de todos os bens e ativos dos sancionados que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos e empresas americanas.
Além disso, pessoas e instituições financeiras dos EUA ficam proibidas de realizar negócios com os alvos das sanções. Bancos estrangeiros que mantiverem operações relevantes com os envolvidos também podem sofrer restrições por parte do governo americano.
Ao anunciar as novas sanções, o Tesouro afirmou que o PCC representa uma ameaça crescente à segurança dos Estados Unidos por manter operadores no país, especialmente na Flórida, responsáveis por lavar dinheiro do tráfico de drogas e financiar outras atividades criminosas.
Segundo o órgão, o PCC é atualmente a maior organização criminosa transnacional do hemisfério ocidental e expandiu suas operações para diversos países, incluindo Reino Unido, Turquia e Japão.
Em nota, o subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira, Gene Lange, afirmou que a medida busca impedir que organizações criminosas ampliem sua atuação em território americano.