“Sem estudo ou diagnóstico específico” sobre a necessidade da aquisição, o Ministério da Fazenda vai gastar R$ 7,5 milhões na compra de computadores e cadeiras para servidores da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), um de seus órgãos. A compra foi destinada a um órgão em que parte relevante dos servidores atua em regime de home office (teletrabalho) integral ou híbrido.
A noticia é de EDUARDO MILITÃO. Segundo dados oficiais, mais da metade dos funcionários da Fazenda trabalha remotamente.
Nos últimos três meses, a reportagem do Metrópoles esteve no local de trabalho dos servidores do Tesouro e encontrou salas vazias ou com baixa ocupação, em alguns casos com apenas quatro ou cinco pessoas.
A maior parte do gasto — R$ 4,69 milhões — vai bancar 700 cadeiras de escritório (R$ 1.300 cada) e 550 computadores de mesa, equipamentos que só podem ser usados em trabalho presencial.
Os valores correspondem aos contratos informados pelo Ministério da Fazenda em resposta a pedido feito pela Lei de Acesso à Informação (LAI).
No documento, a pasta admite que “não há estudo ou diagnóstico formal específico que dimensione a quantidade de pessoas que utilizam as instalações da STN, segregadas por categoria (servidores efetivos, cedidos, requisitados, terceirizados e estagiários)”.
Assim, a aquisição foi realizada sem estudo ou diagnóstico formal específico que dimensionasse a necessidade dos equipamentos.
Na Fazenda, 56% dos funcionários trabalham de maneira remota, segundo dados do Ministério da Gestão e Inovação (MGI).
No caso dos servidores do Tesouro, aqueles que atuam em regime híbrido precisam cumprir expediente presencial equivalente a quatro dias por mês no Bloco P da Esplanada.
A assessoria do Ministério da Fazenda enviou nota da STN ao Metrópoles em que os órgãos dizem ignorar a taxa de ocupação dos prédios, mas defendem a compra dos equipamentos alegando questões operacionais, de segurança e de vida útil do mobiliário.
Em resposta fornecida pela LAI, a pasta já disse que fez “estimativa” com base em “registros funcionais” no sistema de pessoal.
O Ministério da Fazenda ainda vai pagar R$ 2,84 milhões para adquirir 300 computadores portáteis, os notebooks. Esses equipamentos ainda não haviam chegado até o início de junho, segundo a resposta prestada pela LAI. A conta total vai chegar a R$ 7,5 milhões.
Apesar disso, nem as cadeiras e os computadores de mesa estavam totalmente instalados no prédio até segunda-feira (29/6). Muitos estão guardados.
Cada cadeira custa R$ 1.340. Cada computador (PC), R$ 6.830. O valor unitário de cada notebook é de R$ 9.480.
Item —- Valor contratado — Valor unitário
550 computadores de mesa — R$ 3,756 milhões — R$ 6.830 por computador
700 cadeiras de escritório — R$ 938 mil — R$ 1.340 por cadeira
Subtotal = R$ 4,69 milhões
300 notebooks (não entregues até o início de junho) — R$ 2,844 milhões — R$ 9.480 por notebook
Total geral = R$ 7,53 milhões
Fonte: Ministério da Fazenda. Elaboração: Metrópoles
A baixa ocupação das salas não ocorre apenas em dias de Copa do Mundo, como visto na segunda-feira (29/6), data do jogo do Brasil contra o Japão e dia de São Pedro.
A decoração verde-amarela e os festejos juninos compunham o ambiente dos poucos funcionários escalados para trabalhar presencialmente naquele dia no Tesouro.
Os computadores e cadeiras foram comprados de três empresas por meio de pregões, aquisições concluídas em novembro e dezembro do ano passado.
Na resposta por meio da Lei de Acesso à Informação em que a Fazenda admite não ter feito diagnóstico sobre a demanda de uso das instalações do Tesouro Nacional, a pasta afirma que fez estimativa. “Para fins de planejamento e ocupação dos espaços físicos, a estimativa de usuários é realizada com base nos registros funcionais constantes do sistema de gestão de pessoas”, disse o ministério em resposta do dia 8 de junho.
Para essa estimativa, teriam sido considerados “os servidores vinculados à STN que se encontram em regime de trabalho presencial ou teletrabalho parcial”.