Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, levou uma “cola” escrita na mão durante a sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo, nesta sexta-feira (28). As anotações seguem uma estratégia adotada pelo pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nas sabatinas de 2018 e 2022. Com informações do Metrópoles.
Escritas na palma da mão de Flávio Bolsonaro, três referências podiam ser identificadas: “Mudança”, “Futuro” e “7/set”.
As palavras estavam relacionadas ao discurso que o candidato pretende levar para a campanha eleitoral e à mobilização prevista para o Dia da Independência. A anotação “7/set” fazia referência ao ato convocado por Flávio para 7 de Setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo.
A concentração está prevista para as 15h. A campanha tem divulgado a manifestação como uma oportunidade para reunir apoiadores e reforçar a defesa de um “Brasil diferente”.
“Mudança” e “Futuro” no discurso
As duas primeiras palavras anotadas por Flávio — “Mudança” e “Futuro” — fazem parte da construção do discurso eleitoral do candidato. A estratégia é apresentar a candidatura como uma alternativa ao atual governo e associá-la à ideia de transformação política.
Já a referência a 7 de Setembro conecta o discurso eleitoral à mobilização de rua organizada pelo PL e por aliados do bolsonarismo.
A campanha convocou apoiadores para um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, a partir das 15h. “7 de setembro é dia de mostrar a força de quem acredita em um Brasil diferente”, afirma o texto divulgado pela campanha.
O chamado termina com a frase: “Vamos juntos resgatar o Brasil”.
Mensagens de Jair Bolsonaro
- Em 2018, Jair Bolsonaro levou uma “cola” na mão durante a primeira sabatina no Jornal Nacional. As palavras escritas foram “Deus”, “família” e “Brasil” — lemas adotados pela campanha;
- Em 2022, Bolsonaro repetiu a estratégia e escreveu “Nicarágua”, “Argentina”, “Colômbia” e “Dario Messer”. Os três países eram comandados por políticos de esquerda na época – Gustavo Petro na Colômbia, Alberto Fernández na Argentina e Daniel Ortega na Nicarágua. Já Dario Messer era conhecido como o “doleiro dos doleiros”.
7 de Setembro é símbolo do bolsonarismo
A escolha da data e do local segue uma estratégia utilizada pelo bolsonarismo em anos anteriores. A Avenida Paulista se tornou um dos principais pontos de concentração de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, especialmente em manifestações realizadas no Dia da Independência.
Em 2021, quando ainda era presidente, Jair Bolsonaro participou de um ato na Paulista e fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
No ano seguinte, durante a campanha pela reeleição, voltou a convocar apoiadores para manifestações no 7 de Setembro.
Em 2024, já fora da Presidência, Bolsonaro novamente participou de um ato na Paulista. Na ocasião, apoiadores fizeram críticas a Moraes e defenderam o impeachment do ministro. Segundo estimativa do Monitor do Debate Político do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), ligado à Universidade de São Paulo (USP), aproximadamente 45,4 mil pessoas participaram da manifestação.
A Paulista também recebeu outras manifestações bolsonaristas nos últimos anos, consolidando-se como um dos principais espaços de mobilização do grupo em São Paulo.