O infarto, ou ataque cardíaco, é uma das principais emergências médicas e causas de morte no Brasil, com cerca de 300 mil a 400 mil casos registrados anualmente no país, segundo o Ministério da Saúde. Embora a dor no peito e o formigamento no braço esquerdo sejam alguns dos sintomas clássicos, o cardiologista Roberto Yano reforça que há sinais menos conhecidos que também podem indicar risco elevado de infarto, como indigestão e falta de ar.
O especialista explica que o organismo pode reagir de diferentes formas antes de um infarto. Segundo ele, esses sintomas menos conhecidos são mais frequentes em mulheres, idosos e pessoas com diabetes.
“O corpo pode emitir sinais mais sutis horas ou até alguns dias antes do infarto”, afirma Yano, ressaltando a importância de reconhecer mudanças no organismo que fogem do habitual.
Saiba quais sinais menos observados podem indicar risco de infarto
Apesar de a dor intensa no peito continuar sendo um dos sinais mais conhecidos do infarto, ela não está presente em todos os casos. A combinação de sintomas aparentemente inespecíficos pode indicar que o coração já está em sofrimento.
“O maior erro é esperar que apareça apenas a dor clássica. Sempre que houver sintomas persistentes ou associados, especialmente em pessoas com fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo ou histórico familiar, o ideal é procurar atendimento imediatamente”, orienta Roberto.
Segundo o médico, muitos sinais atípicos acabam confundidos com situações do dia a dia, como estresse, problemas digestivos ou cansaço.
Roberto Yano ressalta que a falta de conhecimento sobre esses alertas iniciais costuma atrasar a procura por atendimento médico.
“O infarto nem sempre começa de forma dramática. O organismo frequentemente apresenta sinais de que o coração está sofrendo antes da obstrução completa da artéria. Quanto mais cedo a pessoa identifica esses sintomas e procura atendimento, maiores são as possibilidades de reduzir danos ao músculo cardíaco”, aponta.
Cansaço sem explicação
Entre os sintomas que mais dificultam a busca por ajuda está o cansaço sem motivo aparente. Para o médico, a sensação de fadiga intensa após atividades leves ou sem explicação deve ser encarada com atenção.
“Quando o coração começa a ter dificuldade para bombear sangue de forma eficiente, o organismo precisa fazer mais esforço para realizar tarefas simples. Essa sensação incomum de fadiga não pode ser ignorada”, destaca Roberto Yano.
Indigestão ou desconforto no estômago
Diferentemente do que muitos pacientes imaginam, a dor relacionada ao infarto nem sempre se manifesta no peito. Um dos sinais atípicos destacados por Roberto Yano ocorre na região do estômago.
“Algumas pessoas relatam sensação de queimação, má digestão, pressão na região do estômago ou desconforto semelhante ao refluxo. Por isso, sintomas digestivos persistentes, principalmente quando acompanhados de outros sinais, merecem atenção”, alerta o médico.
Dor que muda de lugar
Ao perceber que a dor no peito passou a irradiar para outras regiões do corpo, Roberto Yano é enfático: é preciso procurar atendimento médico.
“Quando o desconforto começa a irradiar para ombros, costas, mandíbula, pescoço ou braços, especialmente o esquerdo, é um sinal de alerta importante. Em algumas situações, a dor alterna entre essas regiões, dificultando sua identificação como um problema cardíaco”, esclarece.
Ansiedade intensa
Em sua prática clínica, Roberto Yano relata que alguns pacientes descreveram um forte sentimento de inquietação, medo ou uma “sensação difícil de explicar de que algo muito ruim estava prestes a acontecer” poucos dias antes do infarto.
Embora a ansiedade possa ter diversas causas, quando surge de forma súbita e acompanhada de outros sintomas físicos, também pode estar relacionada ao sofrimento cardíaco.
“O coração e o cérebro estão intimamente conectados. Alterações cardiovasculares podem provocar respostas importantes do sistema nervoso, fazendo com que algumas pessoas experimentem uma ansiedade intensa pouco antes do infarto”, alerta.
Falta de ar
Sentir dificuldade para respirar também pode ser um sinal que antecede o infarto. Segundo Roberto Yano, a falta de ar durante atividades habituais ou até mesmo em repouso merece atenção.
“Isso acontece porque o coração passa a bombear sangue com menos eficiência, comprometendo a oxigenação adequada do organismo”, conclui.
Com informações de Metrópoles