O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou em sessão que o Irã responderá fortemente a qualquer intervenção norte-americana no país. “Se os Estados Unidos lançarem um ataque militar, tanto os territórios ocupados quanto as bases militares e portuárias americanas serão alvos legítimos para nós”, afirmou.A informação é do Metrópoles.
Em vídeo publicado por veículos locais, Ghalibaf alerta sobre a retaliação a Israel e bases militares dos Estados Unidos. Veja:
Iranian Parliament Speaker Mohammad Bagher Qalibaf:
— Clash Report (@clashreport) January 11, 2026
If the United States launches a military attack, both the occupied territories and U.S. military and shipping centers will be legitimate targets for us. pic.twitter.com/3H5mfnfu2q
A reação ocorre após o presidente Donald Trump dizer, neste sábado (10/1), que os Estados Unidos estão “prontos para ajudar”, enquanto os manifestantes no Irã enfrentam um cerco cada vez mais intenso das autoridades iranianas.
“O Irã está olhando para a liberdade, talvez como nunca antes. Os Estados Unidos estão prontos para ajudar!!!”, escreveu Trump em uma publicação no Truth Social, sem dar mais detalhes.
Até este sábado, os protestos no Irã continuaram em várias regiões, apesar do aumento da repressão pelo aparato policial do regime.
Número de mortes
Novo balanço divulgado neste domingo (11/1) pela ONG Iran Human Rights, que monitora violações de direitos humanos no país, mostra que, até o momento, ao menos 192 manifestantes morreram desde o início da maior onda de protestos registrada no Irã em quase uma década.
Segundo a entidade, com sede em Oslo, as mortes foram confirmadas a partir de fontes diretas no Irã e da checagem com dois veículos independentes. A ONG afirma que a repressão das forças de segurança se intensificou nos últimos dias, à medida em que os atos ganharam força e se espalharam pelo país.
O cenário é agravado por um apagão quase total da internet, imposto pelo regime teocrático há cerca de 48 horas, de acordo com a ONG de cibersegurança Netblocks. A restrição dificulta a verificação independente das informações e, segundo especialistas, pode indicar que o número real de mortos seja ainda maior.
Repressão
A repressão às maiores manifestações antigovernamentais em anos pode ser intensificada. A Guarda Revolucionária, tropa de elite, atribui os atos a “terroristas” e mantém apoio ao Estado, dizendo que garantir a segurança dos prédios públicos era uma “linha vermelha”.
A mídia estatal disse que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, e culpou manifestantes. A TV estatal transmitiu imagens de funerais de membros das forças de segurança que, segundo a emissora, foram mortos em protestos nas cidades de Shiraz, Qom e Hamedan.
Um vídeo divulgado pelo grupo oposicionista Organização Mujahideen do Povo (MEK) mostra centenas de manifestantes reunidos na praça Heravi, na capital iraniana. Entretanto, um apagão de internet no país dificulta a avaliação da dimensão dos protestos.
Os atos se espalharam pelo Irã desde 28 de dezembro, começando em resposta à inflação crescente, e rapidamente se tornaram políticos, com manifestantes exigindo o fim do regime clerical. As autoridades acusam os EUA e Israel de fomentarem o movimento.