William Pimenta Gusmão, irmão da influenciadora Virginia Fonseca, foi condenado por importunação sexual pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), na última terça-feira (7), no processo que tramita na Justiça desde 2023. De acordo com informações obtidas pelo portal LeoDias, os desembargadores entenderam que havia provas suficientes para condená-lo por um dos dois episódios de importunação sexual descritos na denúncia do Ministério Público de Goiás (MP-GO). Em relação ao segundo fato, a absolvição foi mantida.
O caso teve uma reviravolta após recurso apresentado pela vítima, Rauriceia Martins da Costa. Em fevereiro de 2025, William havia sido absolvido porque o juízo considerou que as provas produzidas não eram suficientes para uma condenação.
Ao reexaminar o processo, porém, a 1ª Câmara Criminal concluiu que o primeiro episódio narrado na denúncia estava comprovado e decidiu condenar o empresário pelo crime previsto no artigo 215-A do Código Penal.
Segundo o extrato da sessão, o juiz decidiu: “O Tribunal, por unanimidade de votos, DESACOLHIDO o parecer ministerial de Cúpula, CONHECEU do recurso e DEU-LHE PARCIAL PROVIMENTO, condenando o apelado pelo crime de importunação sexual, apenas quanto ao primeiro fato, nos termos do voto do relator.”
A decisão foi unânime e contrariou, inclusive, o parecer da Procuradoria-Geral de Justiça, que havia defendido a manutenção da absolvição.
Os dois fatos investigados
A denúncia do Ministério Público de Goiás apontava que William teria praticado dois atos distintos de importunação sexual durante a festa “Revoada”, realizada em 2 de abril de 2023, em Jussara (GO). O Tribunal analisou cada episódio separadamente e chegou a conclusões diferentes.
O primeiro fato, que resultou na condenação, aconteceu quando Rauriceia pediu para tirar uma foto com William. Segundo o relato da vítima, ela o abraçou para a fotografia e, enquanto uma amiga registrava um boomerang, o empresário teria colocado a mão por dentro da calça dela e tocado suas partes íntimas sem consentimento.
Em seu depoimento, Rauriceia afirmou que ficou paralisada com a situação e só conseguiu reagir depois de sair do local ao lado da esposa, Juliana. Ainda segundo ela, contou imediatamente o que havia acontecido à companheira e, logo em seguida, também relatou o episódio a uma amiga, que disse ter presenciado a cena à distância.
Ao julgar o recurso, a 1ª Câmara Criminal entendeu que esse episódio estava suficientemente comprovado pelo conjunto de provas reunidas no processo, razão pela qual reformou a absolvição e condenou William por importunação sexual.
Já o segundo fato teria ocorrido pouco tempo depois, na área onde estavam estacionados os veículos. Conforme a denúncia, William teria se aproximado de Rauriceia sob o pretexto de procurar um amigo e, durante o contato, voltado a colocar as mãos por dentro da roupa dela. A vítima afirmou que, diante da situação, Juliana questionou o empresário dizendo: “até que horas você vai enfiar a mão na roupa dela?”.
Em seguida, segundo o relato, o casal decidiu gravar uma eventual nova abordagem e procurou um segurança para denunciar o ocorrido. Apesar das alegações, os desembargadores entenderam que não havia provas suficientes para comprovar esse segundo episódio. Por esse motivo, mantiveram a absolvição em relação a esse fato e limitaram a condenação apenas ao primeiro ato descrito na denúncia.
Por que William foi condenado agora?
O processo passou por diferentes etapas até o julgamento desta semana.
Após ser absolvido, a vítima recorreu da decisão. No primeiro julgamento da apelação, a própria 1ª Câmara Criminal entendeu que, em relação ao primeiro fato, William poderia receber a proposta de suspensão condicional do processo, benefício previsto para casos que preencham determinados requisitos legais.
O processo retornou ao juízo de origem para que o Ministério Público formalizasse a proposta. A defesa, no entanto, recusou o benefício.
Com a recusa, os autos voltaram à Câmara Criminal para o julgamento definitivo da apelação. Foi nesse novo julgamento, realizado em 7 de julho de 2026, que os desembargadores reformaram parcialmente a absolvição e condenaram William pelo primeiro episódio de importunação sexual.
Relembre o caso
O caso começou em abril de 2023, quando Rauriceia Martins da Costa procurou a Polícia Civil e denunciou ter sido importunada sexualmente durante uma festa em Jussara, no interior de Goiás. Segundo ela, ao posar para uma foto com William, ele colocou a mão por dentro de sua calça.
A investigação teve diversas reviravoltas. Em maio daquele ano, Rauriceia chegou a ser indiciada por falsa acusação após a conclusão inicial da Polícia Civil. Posteriormente, o Ministério Público pediu novas diligências para aprofundar a investigação sobre a denúncia de importunação sexual.
Depois das novas apurações, Rauriceia voltou a ser indiciada, desta vez pelos crimes de denunciação caluniosa e ameaça. Sua esposa, Juliana da Silva, também foi indiciada por falso testemunho.
Mesmo assim, o Ministério Público concluiu que havia elementos para denunciar William por importunação sexual. A denúncia foi apresentada em setembro de 2023, e ele se tornou réu em dezembro do mesmo ano.
Em fevereiro de 2025, William foi absolvido por falta de provas. Agora, após o julgamento do recurso apresentado pela vítima, a 1ª Câmara Criminal reformou parcialmente essa decisão e o condenou pelo primeiro dos dois fatos narrados na denúncia.