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Danilo Sá


Lula, a taxa das blusinhas e o mundo paralelo do petismo

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O petismo tem um talento raro: consegue vender um problema como solução e, meses depois, reaparecer tentando convencer o público de que nunca teve nada a ver com aquilo. O fim da chamada “taxa das blusinhas” é exatamente isso, uma aula prática de contorcionismo político para jogar a culpa nos outros. PT, sendo PT.

Depois de quase dois anos defendendo com entusiasmo o imposto sobre compras internacionais de pequeno valor, o governo Lula descobriu, subitamente, que a medida era impopular. Que surpresa. O mesmo governo que criou a taxa agora tenta posar de libertador do consumidor, enquanto setores do petismo fazem um esforço olímpico para empurrar a culpa para o Congresso Nacional. Até porque, dizer que a culpa era de Bolsonaro dessa vez não iria rolar, já que a medida foi implementada em 2024. 

O PT agiu mais ou menos como alguém querendo incendiar a própria casa e depois aparecendo segurando um balde d’água para posar de herói. Difícil de colar quando os personagens são péssimos atores. 

Vale lembrar que, quando o tema explodiu, houve uma mobilização quase afetiva do governo em defesa do imposto. A primeira-dama Janja Lula da Silva chegou a afirmar que quem pagaria a conta seriam “os empresários”. Não eram. Nunca foram. Quem pagou foi o consumidor comum, aquele que descobriu nas plataformas internacionais uma maneira de comprar mais barato num país onde tudo custa caro demais devido a alta carga tributária que só cresceu sob Lula.

O ministro Fernando Taxad, ou melhor, Haddad, também entrou em campo na época para justificar a cobrança. Outros ministros repetiram o discurso técnico, social, fiscal, industrial e qualquer outro adjetivo disponível para explicar o inexplicável: taxar compras pequenas de uma população já sufocada por impostos.

Na época, questionar a medida quase virou pecado ideológico. O governo falava em “justiça tributária”, enquanto milhões de brasileiros apenas tentavam comprar uma blusa, um fone ou uma capinha de celular sem precisar financiar metade do orçamento da União.

Agora, diante do desgaste evidente e da irritação popular, veio o recuo. E com ele, a tentativa quase infantil de reescrever a história. O petismo parece acreditar que o brasileiro sofre de amnésia seletiva. Como se vídeos, entrevistas e declarações públicas simplesmente evaporassem.

Mas política deixa rastros. E o episódio revela algo maior: a existência de um universo paralelo onde medidas impopulares nunca são responsabilidade do governo, apenas heranças, imposições ou culpa dos outros.

No fim, a “taxa das blusinhas” virou mais do que um imposto. Virou símbolo de um governo que jamais soube o que fazer com a economia do país, se preocupou o tempo inteiro apenas em aumentar a arrecadação, gastou enlouquecidamente - como se não existisse o amanhã -, e agora, diante da ameaça de uma derrota eleitoral, repete o passado de triste lembrança: para ganhar a eleição, o PT é capaz de "fazer o diabo", como disse anos atrás a ex-presidente Dilma Rousseff. Até quebrar o país, de novo.

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