Natal volta a enfrentar um velho problema brasileiro: a política interferindo onde deveria prevalecer o interesse público. A denúncia feita pela vereadora Nina Souza, de que o Governo Federal travou R$ 41 milhões destinados à capital potiguar para a conclusão de obras estruturantes, acende um alerta grave sobre a relação do Palácio do Planalto com cidades administradas por adversários políticos.
Se confirmada, a retenção desses recursos representa mais do que um impasse burocrático. Significa atraso em obras importantes, prejuízo à mobilidade urbana, impacto direto na geração de empregos e, principalmente, desrespeito com a população natalense, que é quem paga a conta da ineficiência e das disputas partidárias.
Natal precisa avançar em infraestrutura, drenagem, pavimentação e melhorias urbanas. Cada obra parada ou desacelerada compromete o desenvolvimento da cidade e piora a vida de quem depende de serviços públicos de qualidade. Recursos públicos não pertencem a governos, pertencem ao povo. Quando verbas são seguradas por conveniência política, o maior prejudicado é o cidadão.
O governo do presidente Lula e o PT têm o dever institucional de governar para todos os brasileiros, inclusive para Natal. Não cabe selecionar municípios por afinidade partidária. O pacto federativo exige cooperação entre União, estados e municípios, especialmente em tempos de desafios econômicos e necessidade de retomada de investimentos.
Mais do que respostas, Natal precisa da liberação imediata desses R$ 41 milhões. A cidade não pode ser vítima de disputas ideológicas nem refém de interesses eleitorais. Quando Brasília trava recursos, quem para é Natal.