Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, admitiu ter criado uma identidade falsa e se passado por criança durante mais de 15 anos, segundo seus advogados em resposta ao jornal norte-americano The Washington Post. O caso ganhou repercussão no Brasil e levou a mulher a responder a acusações de fraude e falsidade ideológica em Santa Catarina, além de uma denúncia por fraude no Paraná.
A prisão ocorreu em 2 de junho, em Joinville (SC), após Amanda passar 14 meses vivendo com um casal que acreditava ter acolhido uma menina de 12 anos. Segundo a polícia, ela usava voz infantil, roupas e comportamentos associados a uma criança. No momento da abordagem, porém, mudou o tom de voz e confirmou que acompanharia os policiais.
Apesar de admitir que mentiu e enganou pessoas, Amanda nega ter cometido fraude. “É claro que enganei as pessoas, menti”, afirmou, segundo a polícia. “Mas não tinha intenção de aplicar um golpe em ninguém.”
A defesa sustenta que ela não teria causado prejuízo financeiro às pessoas que a acolheram e afirma que a identidade falsa foi uma forma encontrada para sobreviver.
“Foi a maneira que encontrou para sobreviver. Mas ela tem sido uma pessoa vulnerável por mais de 20 anos. Ela viveu nas ruas e não houve nenhuma alegação de que tenha obtido qualquer vantagem financeira, ou cometido roubo ou furto, o que, em teoria, significa que os elementos da fraude não foram comprovados", disse o advogado Lúcio Sousa.
Segundo os investigadores, Amanda disse que buscava atenção, carinho e proteção que não teria recebido durante a infância. Outra advogada da mulher, Sarita de Paiva, declarou ao The Washington Post que Amanda dizia acreditar que, se revelasse ser adulta, as pessoas não cuidariam dela.
Mulher repetia farsa
A polícia afirma que a mulher repetiu o comportamento em diferentes situações e localidades. Em 2020, apareceu em um abrigo para crianças dizendo ter 12 anos e estar fugindo de um pai abusivo. Um exame pediátrico posteriormente confirmou que ela era adulta. Em 2021, usou outra identidade e afirmou ter leucemia, além de relatar uma série de situações falsas, segundo integrantes de um grupo de orações online.
Em 2023, Amanda teria se apresentado como outra menina vulnerável no Rio de Janeiro. As suspeitas aumentaram quando pessoas que a acolheram encontraram inconsistências em sua história.
Após a prisão em Santa Catarina, Amanda passou por avaliação de saúde mental. Os avaliadores identificaram sinais de possíveis transtornos psicológicos, mas concluíram que ela compreendia suas ações e tinha condições de ser julgada.
Uma avaliação independente contratada pela defesa apontou transtorno de personalidade borderline, transtorno de personalidade dependente e depressão, mas o juiz decidiu não considerar esse segundo laudo e autorizou o prosseguimento do processo.
O julgamento em Santa Catarina começa nesta quarta-feira (19).
Com informações de SBT News