O PT é especialista em arremessar bumerangues. O problema é que o que vai volta.
Durante meses, o grupo político de Lula surfou confortavelmente no Caso Master. Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira, Davi Alcolumbre — cada nome que aparecia nas investigações era celebrado como prova de que a corrupção era exclusividade do campo adversário. Lula chegou a apontar Alcolumbre como o culpado pela derrota de Jorge Messias no STF, transformando o escândalo alheio em munição política de uso imediato. A relação dos dois, até então cordial, azedou de vez.
Agora o bumerangue voltou. E acertou em cheio.
A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal, chegou onde as fases anteriores, curiosamente, nunca haviam chegado: no núcleo duro do PT. O alvo é Jaques Wagner — senador, ex-ministro, líder do governo no Senado e amigo de décadas de Lula. O mesmo "galego" que o presidente trata com carinho fraternal.
A suspeita é grave. Wagner teria recebido vantagens indevidas, incluindo um imóvel de luxo em Salvador, em troca de favores ao banqueiro Daniel Vorcaro. Com o aval do senador, o Banco Master teria obtido o monopólio do CredCesta na Bahia — o programa de crédito consignado para servidores públicos e principal ativo do banco. Dali, as relações políticas de Vorcaro se espalharam pelo país inteiro.
Não é detalhe menor que o embrião de todo o escândalo tenha nascido exatamente na Bahia, Estado governado pelo PT de forma ininterrupta desde 2007 — quando o próprio Wagner assumiu o Executivo estadual. Nos bastidores da PF e do STF, o incômodo era público: todos sabiam da origem baiana do caso. As fases anteriores, no entanto, passaram longe desse núcleo. Agora não deu mais para desviar.
E aqui mora o risco mais sério de tudo isso. Quanto mais as investigações avançam sem distinção partidária — atingindo Executivo, Legislativo e Judiciário de todos os lados —, maior a tentação de uma solução tipicamente brasileira: o "MELHOR DEIXAR PRA LÁ E SALVAR TODO MUNDO".
Investigadores já manifestam preocupação com o caso se arrastar além das eleições e ser silenciosamente abandonado.
Seria o fim. A desmoralização completa da Polícia Federal, da PGR e do STF diante de tudo que já veio a público.
Pra finalizar: O PT descobriu hoje que bumerangue não tem lado. Só tem trajetória.